sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tem alguém na porta


Deixe a vida entrar com que ela quiser.
Deixe o céu abrir com a cor que ele apresentar.
Deixe o mar molhar os cabelos com a temperatura de um grito seco.
Deixe os sonhos mergulharem no mais obscuro medo do seu peito.
Deixe o seu corpo dançar a música que você tem mais vergonha
Deixe sua voz pedir por uma frase de impacto que só você entenda.
Toc.
Toc. Toc.
Toc.
Toc.
Se alguém chegar com frio, é porque você tem o cobertor mais quentinho da cidade. Se alguém chegar com fome, é porque o seu almoço está querendo outro ventre. Se alguém chegar com uma lágrima, é porque você tem a alegria e ombros amigos. Se alguém chegar com um sorriso, é porque você tem um ótimo modo de comemorar. Se alguém chegar com medo, é porque você tem o abrigo. Se alguém chegar atordoado, é porque você tem o silêncio. Se alguém chegar com falta de esperança, é porque você tem as palavras certas. Se alguém chegar com ódio, é porque você pode dar amor. Se alguém chegar com mentiras, é porque você pode rebater com a verdade. Se alguém chegar com uma piada, é porque você tem uma gargalhada. Se alguém chegar com sede, é porque você tem água gelada. Se alguém chegar com dúvidas, é porque você tem a fé. Se alguém chegar com calor, é porque seu ventilador está funcionando muito bem. Se alguém chegar com o luto, é porque você pode mostrar um pouco de Deus. Se alguém chegar com tédio, é porque você tem os programas diferentes embalados por um delicioso gosto musical. Se alguém chegar querendo um amigo, é porque ele pode ser você. Se alguém chegar cansado, é porque você tem uma cama confortável e ótimos filmes engraçados. Se alguém chegar com desequilíbrio, é porque você tem a segurança. Se alguém chegar, é porque você está ai.
Sempre que baterem na porta lembre-se que é porque existe um pouco das melhores atitudes do universo dentro do seu peito. Queira abrir a porta. Quando você precisar, estaremos todos aqui. Ele sempre capacitará alguém para acolher suas necessidades quando bater, mas não deixe de ouvir quando Ele estiver tentando te capacitar para abrir a porta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Internalize para externalizar



Voando ao susto do sentimento súbito, percorro meu itinerário afundando-me pelos labirintos da alma conformada. Ainda que a terra me percorra, ninguém do solo poderia me definir por completo. Meu vôo é lânguido e aterrisa entre as núvens mais claras dos meus pensamentos. Fragmentada em palavras desconexas, atiro-me no abismo do meu entendimento nítido. Conforme me exploro, as palavras embalam-me e transformam minha agonia em melodia lúcida. Só assim posso enxergar as páginas, sob um espectro de luz grandiosa. Sinto-me mergulhando nas certezas do mundo. Em queda rápida e serena sinto os planetas desconhecidos acariciarem meus mistérios, com seus tênues espinhos verdes.
Minha essência derrama, transborda, modifica. Enquanto soprava minhas feridas abertas, o vento atirava-me para longe de mim mesma. A nostalgia do futuro umedecia meus olhos escuros, contraindo meu peito ainda mais que os botões vestis. Pouco a pouco o coração afagava minhas lágrimas silenciosas e não deixava espaço para as fúrias passadas. Não havia tempo para o rancor. Não há mais tempo para a raiva humana dominar os nossos pensamentos e atitudes.
O mundo está gritando. Não precisa abrir a porta, ligar a televisão, nem escancarar todas as janelas para escutar. O grito está dentro de você. Já gritamos a tanto tempo juntos que desaprendemos a ouvir. Somos tão dependentes uns dos outros que é ilusão pensar que estamos sozinhos. Esta dependência é tão evidente, que ao negá-la, só estamos demonstrando o quanto somos orgulhosos e incapazes de admitir a nossa pequenez. Ainda que te abandonem, existe algo que nos responde no íntimo. Estamos de alguma maneira misteriosamente conectados, mesmo que tão diferentes um dos outros.
Não deixe o sistema vendar seus olhos. Estamos incorporando novas formas lamentáveis de render nossos corpos a uma espécíe de hedonismo e materialismo irracional. Hipócritas seremos até o último dia das nossas vidas, querendo ou não, é um espinho humano. Uma condição.
Embora sejamos fracos e dependentes um dos outros, e que reconhecer isso, não evidência uma baixa auto-estima, e sim a capacidade de reconhecer aquilo que somos enquanto indivíduos, enquanto seres humanos, compreenda que cada vida é um livro a ser minuciosamente explorado com amor e atenção. Se não quisermos sofrer as conseqüências da dependência negativa, teremos que nos auto-organizar.
É interessante observar como cada um possui um grau próprio de disponibilidade interna para lidar com as demandas externas. Isto é, algumas pessoas são capazes de se manter ligadas ao mundo exterior por mais tempo que outras. A dependência saudável nos torna cada vez mais ágeis, mais livres para fluir. Lanço minha voz ao vento, sem ponto de partida ou chegada. Clandestina, passageira, minha história é o presente. O presente é o meu futuro.
Cada vez que perco-me dentro de mim mesma, olho para o mundo e percebo um pouco de céu, não porque assim vejo, mas sim porque ainda acredito em todos nós.
"No meu coração fiz um lar, o meu coração é o teu lar."


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tic Tac



Estava quase na hora. A cama parecia um ninho. Eu enrolada em um cobertor cor de primavera, sentindo minha alma como um prédio abandonado, num bairro em que ninguém era capaz de me conhecer por completo. O relógio foi correndo, os ponteiros giravam para lá e para cá. Levantei num grito e subi na mureta. Sem pensar em nada, olhei fundo lá para baixo determinada a me jogar como um herói que salta de um edifício e sabe que vai voar. Parecia que balões flutuantes me guardariam na proteção colorida. Eu voaria para a liberdade.

Foi então que o despertador tocou acordes gritantes. Algo me veio a mente desenhando letras deliciosas por uma lembrança passada do cuidado Dele comigo. “O sol me acordou em silêncio, mas parecia iluminar cada célula com tom de mistério. Pode um relógio marcar as horas da sua vida, Paula? É Deus quem marca as horas da sua vida. E olha que sol lindo Ele escolheu para acordar você!" Não importa o que pensem sobre Ele, ninguém nunca irá defini-lo em fase terrena. Mas importa muito o que Ele pensa sobre você. Ele não julga. Nada do que possa fazer irá mudar a condição dele acorda-lo com um sol brilhante, cheio de vontade de iluminar seu sorriso. Você foi escolhido, talvez um dia consiga perceber a responsablidade de ter um objetivo nessa esfera azul, assim que tira-la de dentro do seu umbigo e começar a percebe-la dentro do outro, como um coletivo cordão umbilical. Que tal deixa-lo surpreender você hoje?

Basta pedir e perceber.

Boa sorte, o despertador começou a tocar.


Dentro de mim explode uma festa que não sabe ser muda.
Cores explodem no meu interior, e eu nem preciso estar feliz.
Não estou buscando por intensidade, existe uma calma tão alegre.
Meu coração insulta uma natureza abertamente Paula, No campo das idéias, o existencialismo tornou-se a grande mania do meu refúgio. Como paradigma, acerbo das provações a expurga, a tempera, a nobilita, a regenera. Então vim a perceber vivamente que imensa é a sorte de podermos mudar nossos discos. Na minha simplória opinião, a culpa, se é que existe alguma, deve ser aquela do que não foi feito.
O que importa de verdade é dançar mesmo assim, porque lá fora derramam dias
repletos de chances de nos reinventarmos.
Tenho mania de ser feliz, Essa é a minha loucura e também a minha contradição.
Não gosto de crianças de castigo por sujar a roupa, peixes em aquários, pés cheios de saltos, cachorros em coleiras, pássaros engaioados, água em garrafas, espelhos sem visitas...
Eu gosto mesmo é de observar a vida acontecer. De fotografar meus ponteiros e aproveitar cada segundo desse universo tão carinhosamente feito pelo Criador.
Não importa mais o que gostam de pensar ao meu respeito.
Não importa mais o que precisam fazer para me traduzir.
Não importa mais o que acham entendem sobre a minha natureza.
Não importa mais o carma de tentarem me definir.
O que importa de verdade é que eu sei quem eu sou e Ele também.
Hoje eu me sinto muito mais envolvida com o tato das minhas profundezas, com meus mistérios, impulsos e conflitos. Porque temos em nós o poder de não sermos e apenas estarmos.

"Não fui o que os outros foram
Não vi o que os outros viram
Mas por isso, o que amei,
amei sozinho."


Silêncio


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pisando nos próprios calos

Ela é apenas um tiro no escuro que gosta de ecoar um nome escolhido para que a identifiquem como Paula.
Esconde-se entre armaduras invisíveis uma tímida de teor reversível. De donzela só a voz.
Pela cidade mora como ruído agúdo que às vezes apresenta-se meio rouco, sente falta mesmo é do silêncio. Seus pés branquinhos cobertos por veias azuis aconchegam-se na grama crescente de quintais desconhecidos, afundam firme pela areia delicada de seus paraísos imaginários, às vezes sai pisando fundo pelo asfalto quente com seu All Star desamarrado. O chão pesa e ela sabe disso.
Pisoteante afoga seus pés em saltos para não sentir o piso de mármore lembrar que sua pele é tão fria quanto o chão. Mesmo assim, se precisar entregar seus sapatos para qualquer pessoa que precise deles, mal importa-se se ficarão sujos, se gelará os dedos ou se sentirá seus pés queimando como o chá borbulhante que toma quando sente medo do céu desabar sobre seus sonhos de garota carioca.
No fundo ela é boa e não para de tentar. De vestidos coloridos ou roupas mulambentas a notável palidez indolor aparenta querer saltar de seus poros.
Cabelos banhados em pleno breu sincero parecem confessar seu mistério. Singular expressão facial parece não conseguir parar de assumir seu grande amor pela humanidade.
Gosta de provocar gargalhadas após sondar o ambiente ao seu redor. Sente-se surda dentro dos seus medos e atenta aos medos alheios. Sem tinta no cabelo, sem rótulos e sem cortes, é apenas uma alma pulsando um corpo vivo. Garota no espelho que só quer sorrir ao notar o quão triste pode ser se deixar a vida atropelar suas bochechas de criança. É fácil penetrar o seu universo diferente dos demais, está sempre procurando uma forma de meditar vibrações boas para cada pessoa que conhece, até mesmo as quais ela não se identifica. Sua alma é faminta por intensidade, violenta e atormentada sabe-se lá o porquê. Tem em sí uma sede de mudar o mundo, mesmo sabendo que tal sede é maior do que sua armadura é capaz. Mergulha em livros, nos problemas de cada coração ao seu redor, assim ela consegue voltar sem nostalgia a sua infância tão cheia de fantasias peculiares. Mistura-se entre gargalhadas, lembranças, dias, discos e lágrimas. Com uma pinta notável no rosto, vermelhidão vibrante nos lábios e olhos mais escuros que sua hipocrisia humana lamentável, dança por suas vestes. Pouco se importa em não ser perfeita. O que verdadeiramente importa é que sempre está em constante metamorfose ardente. Dessas que vão rasgando sua carne para mostrar o quão barulhentamente colorido é o espírito que tem dentro de sí. Isso sim está em crescente evolução nesses anos viventes.
Nossa, olha lá! ela não é mais a mesma, parece mulher. Nossa, que adulta interessante está se tornando. Tão certa das suas vontades... mas não se iluda, ela continua sendo a mesma garotinha querendo transformar tristeza em poesia.
Acho que agora posso deitar no chão, já não tenho mais medo dele.
Depois de encostar minhas costas de bailarina que não dança e esmagar cada lágrima doente, andarei com asas de cartolina que nada podem fazer a não ser me deixar absorta nos meus próprios devaneios que nada querem fugir.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Let me breath

Fui planejada para nascer em 1992, minha mãe engravidou em um hotel em janeiro.
Nasci como um milagre em um dia vinte e três. No mesmo dia, do mesmo mês que a minha mãe nasceu. A bolsa foi rompida no exato horário do seu nascimento. Tive pouca chance de sobreviver. Era prematura, cabia na palma de uma mão adulta. Tive dificuldade de respirar, mesmo assim já existia uma fome de vida maior do que o mundo entre meus orgãos fraquinhos. Eu queria respirar o mundo. Eu queria viver entre todos vocês por algum motivo divino. Rasparam minha cabeça para passagem de medicamentos, colocaram-me em uma espécie de berço hermético que mantém uma temperatura constante, como um útero. Ainda na incubadora, meus pais conversavam comigo, observando meu coração bater mais rápido por reconhecer aquelas vozes que por sete meses me acompanhavam em fluxo diário. Enquanto a incubadora regulava a minha temperatura corporal, no meu bracinho tinha o nome de menina que me havia sido escolhido. Paula, era assim que as pessoas me chamariam. Entre cinco letras aceitava o meu único rótulo, meu nome. Eu não fui um bebê fácil, sempre tive distúrbios alimentares e de sono.
Passava madrugadas inteiras chorando um choro agúdo, quase insuportável. Eu tinha cólicas agressivas em determinados horários da noite. Por algumas vezes minha mãe pensou em não cuidar de mim, quando o desespero a visitava. Era realmente insuportável estar comigo, quase infernal. Foi preciso a ajuda de uma outra mulher, a Celina, um ser humano magnífico que também havia cuidado do meu pai durante toda a sua infância. Celina é o nome doce que não esquecerei por nenhuma fase da minha vida. A amo com todas as forças, minha infância inteira está guardada com ela. Sempre me envolveu com sua ternura e me protegeu para que eu tivesse uma infância feliz. Sempre me deixou fazer coisas de criança, sujar a casa com massinha, pular na cama, bagunçar o quarto inteiro, ralar joelhos, provar doces novos, rabiscar sua pele, entre milhões de besteirinhas. Me abraçava quando eu chorava, não conseguia me ver triste. Me colocava de castigo quando eu precisava, mas sempre teve uma paciência incrível. Sempre respeitou meus sentimentos, nunca achou que era frescurinha de criança. Confesso que o dia que ela for embora desse mundo, metade da minha história vai com ela. Não superarei fácil, será uma jornada realmente dolorosa. Mas não deve-se dizer essas coisas enquanto a vida ainda está pulsando alguém. Outra coisa que se aprende é que ninguém tem o direito de sufocar um ser humano, nem por amor. Cada ser humano tem a liberdade no sobrenome, Cristo mesmo foi quem deu. Ninguém tem direito de anular as escolhas alheias. Ninguém tem o direito de abrir a boca a respeito do que Deus nos deixou tatuado na alma: Asas. Direito de ser e fazer o que sentir vontade. Ele não é o menino mau em cima do formigueiro. Ele nos ama e deixa claro que onde houver amor, existe Seu nome. Essa mania de só pensar nas coisas que deixamos de fazer pelas pessoas apenas quando elas vão embora é extremamente burra. Vivemos em função dos nossos umbigos e vamos esquecendo que não somos nada sem algumas pessoas incríveis que nos fizeram ser o que somos. Tente pensar menos em você, não é arriscado. Lembre-se que as pessoas sentem, que não há nada no universo pior do que esquecer disso. Aprenda a respeitar o espaço de cada ser humano e a falar mais sobre o quão especiais são para você. Prometo que você não vai escapar ileso, vai aprender o que é amar alguém de verdade.
Amor sem respeito não é amor, amor sem saudade não é amor, amor sem carinho não é amor, amor sem perdão não é amor, amor sem cuidado não é amor, amor sem divisão não é amor.
Sentir o que o outro sente, como se estivesse no seu próprio corpo, isso sim é amar.
Respire e sinta que cada batida do seu coração é um milagre e que passar por essa vida sem aprender o que é amor verdadeiro é a mesma coisa que anular o real motivo de você estar vivo.
Ser é suficiente. Talvez ainda exista a mesma Paulinha dentro da incubadora, precisando lutar para sobreviver, com uma enorme vontade de respirar a vida. E quem se importa?
Ainda escuto as mesmas vozes que atentas estiveram torcendo para que eu conseguisse crescer e nas minhas artérias sinto o Criador fazer meu sangue pulsar, sem permitir que eu pare por um só motivo: Amor.










quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Tantos em uma só

Ninguém É um momento, ninguém É uma profissão, ninguém É um defeito, ninguém É um rótulo, ninguém É uma imagem, ninguém É. Todos nós estamos. Já estive criança, já estive triste, já estive feia, já estive sã, já estive engraçada, já estive grossa, já estive amável, já estive servindo de sonífero, já estive atraente, já estive neta, já estive efusiva, já estive ridícula, já estive interessante, já estive expressando milhares de traços da minha personalidade curiosa dentro e fora de mim. É bobeira julgar todo e qualquer ser humano por momentos. Na real, é bobeira julgar. Em cada ser humano existe um universo totalmente diferente dos demais. Todos nós vivemos vidas diferentes, vemos o mundo de uma maneira diferente. Cada um de nós apresenta um jeito singular de apresentar-se a humanidade. Nunca me preocupei em desvendar o lado que eu mostro para o mundo e o lado que eu escondo dele. Eu gosto de estar dentro de mim, mas não é sempre que como num grito o mundo não me acorda para respirar a beleza do que está fora do meu corpo de garota.
Arranco de mim metade de uma multidão fria e arrisco-me a aprender como devo agir para me ver no outro sem diferenças. Meu foco está no Amor. Tudo que for amor deve ser explorado sem frescura, porque Deus é amor.
É difícil falar de amor para uma sociedade que cada vez evolui negativamente em relação a este sentimento que sempre existiu. É difícil falar do que é bom para um mundo cada vez mais mau e cheio de sí. Em cada canto existe gente nascendo e morrendo sem amor, e muitas dessas pessoas mal sabem que Alguém nasceu e morreu para mostrar o que é amor de verdade. Um soberano fez-se abrigo amigo e desenhista de destinos inacreditáveis. Nunca houve limites para estarmos. Só existe limites para sermos. Metamorfoses crescentes, talvez seja essa a única definição que temos.
Julgamos pessoas como se nós mesmos tivessemos as criado. Cada vez que apontarmos nossos dedos que nada sabem sobre ninguém -arrisco dizer que nem sobre nós mesmos- devemos ir direto a um espelho largo e nítido para percebermos que todos nós somos iguais, que não devemos julgar ninguém, nem a nós mesmos. Às vezes vomitamos atitudes lamentáveis, devemos sim reconhece-las como ruins se não tiverem amor no sobrenome. Porém julga-las é impossível. Nossas personalidades são como um quebra cabeça de milhares de pecinhas formadas por ondas e ondas de fatores que talvez nem estejam em nossas lembranças. Apenas o Criador das nossas almas pode explicar porque agimos de maneiras misteriosas. Não falo de um Deus que muitos de nós pintou como alguém que julga como homem, não como um Deus. Quem somos nós para abrir a boca e dizer que alguém está errado em estar de alguma maneira?
Nada. Ninguém. Menos que poeiras cósmicas.
Permita-se a sentir mais e abrir menos a boca quando criticar toda e qualquer maneira de amar.
Permita-se a parar de vibrar com idas do homem à lua e chorar com quem sente frio, fome e falta de calor humano.
Permita-se a entrar em contato íntimo com Aquele que deu cheiro as flores, cor aos seus olhos e sabor as frutas.
O único ser que É chama-se Cristo. Ele nunca deixará de ser amor.
Nesse aspecto, permita-se a estar sendo melhor,
seja amante do amor.
Seja livremente preso por vontade ao Bem.






segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Abrindo os olhos

Nossos corpos parecem completos, cheios de informações e linguagens que muitas vezes não dominamos.
Ouvidos não possuem pálpebras, você não pode escolher entre não ouvir o que se passa ao redor.
Os olhos possuem toldos que piscam sem parar, parecem nos lembrar que temos a opção de fechar os olhos fundos e esquecer das imagens que nos complementam.
Olhar não significa ver, e às vezes, para enxergar, é preciso um certo olhar difuso, vago, afim de entender.
Muitas vezes escutamos o questionamento:
"Não é injusto um bebê nascer deficiente?"
A resposta sonda a ponta da minha língua com velocidade.
Injusto é o nosso olhar. Injusto é a gente pensar que o corpo é alguma grande evolução. A deficiência está nos nossos olhos, não em quem tem algum tipo de diferença superficial.
Deveriamos nos questionar a respeito da alma, das ações, do quão pequenos somos. Não deveriamos nos revoltar contra os Céus e dizer o quão triste é alguém não ser "perfeito" no externo.
Pior do que essa frase é aquela:
"Não é injusto uns nascerem pobres e outros não?"
Óbvio que é injusto, mas quem criou esse ninho de injustiças?
Quem fez parecer que ter certas matérias é um tipo de marketing pessoal?
Quais seres parecem acordar cada vez mais individualistas e pobres de espírito?
Nós.
Como eu sonho com o dia que todos nós conseguiremos entender que o corpo não é absolutamente nada quando temos um espírito para evoluir.
Não em outras vidas, particularmente não acredito nas mesmas. Acho isso tudo uma grande fuga para não viverem o aqui e o agora e mais uma das manias de encontrarem respostas para o que não possui.
Um profundo mergulho no interno faria cada um de nós conseguir compreender que no simples estão as grandes respostas da humanidade.
A chave do mundo está em um Menino Deus que nasceu para nos ensinar a multiplicar alegrias e dividir tristezas. Sentir o outro, exercitar a imaginação em se perceber o mesmo ser humano ao observar olhos tristes e sorrisos abertos.
É nos seus olhos que eu quero encontrar a minha própria alma, não importa quem seja ou o que faça.
Tudo o que eu quero é amar cada pessoa que nascer entre essa nossa gaiola de loucos.
Se cada um de nós quiser o mesmo, não será apenas fantasia a idéia de um mundo gostoso de acordar.
Todo ano vem com a opção de um novo nascimento.
Que esse novo ano que se aproxima possa nos fazer nascer novamente. Espero que amar cada ser humano que entrar e não entrar em nossas vidas como se fossem nós mesmos, seja o grande objetivo da humanidade. Mesmo dentro de um Sistema porco e plástico, eu acredito que cada alma que aproximar seu coração do Criador, conseguirá melhorar e muito essa humanidade especial e ao mesmo tempo decadente.
Aproveitem os últimos dias de dois mil e nove, mais um ano que não volta mais.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Dezembro


As ruas parecem formigueiros, não se fala em outra coisa a não ser presentes. Shoppings enfeitados enquanto a cidade se ilumina de estômagos vazios.
Dinheiro, propagandas, fitas, papai noel, presentes, músicas e cartões prontos.
A irônia parece explodir entre as bolas vermelhas das árvores comerciais.
Amanhã milhares de rostos pela cidade irão negar o sorriso do Aniversariante com deboche enquanto comem ceias rodeadas por parentes distantes e presentes caros quando marcar 00:00 horas.
Amanhã crianças vão andar pelas ruas sem presentes, imaginando que o sentido do natal é justamente ganhar coisas.
Amanhã alguns asilos e orfanatos vão transmitir dor entre olhos sem luz.
Amanhã familiares distantes que só aparecem em velórios e casamentos chegarão na sua casa com sorrisos largos e frases prontas.
Ainda dá tempo de fazer este natal valer a data.
Ainda dá tempo de provocar um sorriso do Menino que é muito mais que um bebê do presépio da sua sala. O Menino cresceu para nos ensinar o Amor.

Ame.





















segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Entre paredes


Trato a mente assim como meus ossos crescem.
Sei que não sou mais menina, mas tenho certeza que não sou mulher o tempo todo.
Observo minhas antigas mãos pequeninas e noto que já não são mais tão pequeninas assim.
Roupas que não cabem mais vestem meus rabiscos mais tardios.
Meu peito acorda uma canção de ninar tão noturna quanto os meus olhos aflitos.
Guardo em malas a minha vontade de voar, pois um dia precisarei das asas molhadas de chuva.
Solto ao vento cada objeto que me remete a lembrança das grades cor-de-grito.
Uma metamorfose apertada na cintura fina, repleta de botões que ligam meu passado ao presente com força uterina.
Cada noite vem com a possibilidade de não abrir o sol. Respeito como ninguém o adormecer e a glória de uma manhã que parece despencar mistério entre as janelas de cada parede.
Ah, como gosto dessa minha mania de ser quem eu sou.
Não que eu seja alguém interessante por demais, longe disso. Algo me faz sorrir quando percebo que se eu não fosse eu, seria um estranho. Alguém que jamais veria a vida com os meus olhos. Poderia ser feliz com menos ou mais facilidade, mas a verdade revela que almas não entram em histórias erradas. Gosto mesmo é dos obstáculos que me fazem crescer.
Arrisque sorrir.