segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Grito histórico

"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Jung)


Ao andar pelas ruas da cidade, sinto-me como quem já não consegue render-se a suposição irrefletida . Sinto tênue calmaria em penetrar os rostos mais conflituosos e ver beleza na simplicidade da rotina desconhecida de cada traço facial. Presto muita atenção em gargalhadas libertinas, ombros curvados, gravatas apertadas, mãos fechadas, pernas duras entre passos espavoridos, sapatos coloridos, lábios glaciais e qualquer ruído que dê resplendor ao meu olhar analítico. Como se fossem obras de arte, percalço a intransigência de participar da ressonância espectral que cada ser humano emite sem dizer. Imagino suas súpilicas, valsas de aflição, ofícios fúnebres, manias peculiares, nomes próprios, angustias espantosas, ansiedades imaculadas, endereçoes , sonhos de cristal, risadas queridas e problemáticas lânguidas que possam passar pela retina da sociedade como impróprio.
Temos por essência arisca um apego a exaltação de nossas falsas magnificiências, vomitar intelectualismo de gaveta e aplaudir ao nosso constante hábito de atribuir-nos virtudes improváveis. O ponto curioso da prática antropológica que cada ser humano acaricia é esse tal desespero para manter-se dentro de hegemônia conservadora. Os julgamentos fulminantes que levitamos entre as bocas sujas perante ao outro, não é nada mais, nada menos, que uma mania violenta de enraivecer as estruturas pelo orgulho de julgar a si mesmo como mais um belo exemplar do sistema. A auto afirmação sempre foi um prato perigoso para incinerar mentes abertas em campos afastados enquanto tême-se a matança da máscara que cobre o infectado coração humano. Mergulhamos entre febres de luxúria, fermentação da cobiça, idolatria irracional ao insulto, amor aos julgamentos exagerados aos outros, que valorizem ao próprio reflexo, falta de compaixão aos momentos ingratos das personalidades humanas e principalmente o prazer do hábito da incompreenção. Mergulhar na decadência de agirmos como vermes carniceiros só nos conduz ao morredouro dos nossos presságios. Pisar nessa terra ferida e travar o conhecimento do outro é como fazer com que não exista nenhuma lógica racional em Alguém ter derramado sangue em nossas veias lívidas. Demência desavergonhada, é isso que temos em nossas loucuras mais petrificadas.
Se cada um de nós sentisse ao menos a vontade de refletir um olhar materno perante ao outro, não seriamos tão escravos da estremicida sensação de dissuadir o real sentido de respirar entre as horas mortas desse céu denso. Liberte-se do seu medo encarniçado de descobrir que precisamos em grau de urgência, de um alarme a vulgarização dos nossos sentidos obscuros. Perceba a candura dos olhos das pessoas. Não sinta prazer em pastorear rancores, nem de tatear trevas. Compartilhar amor, não dói. Chega de supertições sociais, de tardia revelação de carinho entre os seres humanos. Apazigue e finalmente deixe de acordar pela metade. Bom dia.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Palco aberto


O que constitui o ser e a natureza das coisas é o que existe por trás das cortinas. Apenas aquele que não possuir entre as veias um sangue vermelhamente desprovido de hipocrisia, não sente que o pensamento nada mais é do que o ensaio da ação consciente. Nada se finda nem inicia-se sem o processo subsequente. Muitas das atitudes que julgamos levianas e inconsequentes começaram lá onde o inconsciente fotografa como uma chapa desprovida de esquecimento. Atirar-se na voragem da descoberta de si próprio exige o despejo de toda maquiagem sanitária. Vomitar as epístolas e frases de bolso faz com que nossos ouvidos dilatem o verdadeiro sentido de se transitar a arte de cada um. Inquirir a inocência perdida entre os anos só nos causa verdadeira sensitiva indagação. Só aquele que conhece e assume o passado, sabe que a força está agora, prontificada recentemente para fazer e ser o que se quiser. Não tenha receio nem desonra de ser quem habita o peito falho, apenas assuma a farda do bem e utilize-se para uma nova era de amor indiscriminado. Seja quem você gostaria de passar o resto da vida ao lado. Agora sim, faça sua arte: Mude roteiros sem precisar ser teatral. Ria e faça rir.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Regenerar-se


O que é distante mora ao lado do que de perto aguça o peito gris. Não existe cólera ociosa no pensamento que permeia o poder inalienável de vivenciar como momento aquilo que se sublima constantemente . Presenças intocáveis deixam retalhos pela epiderme lasciva. Entre tricomas curtos e finos a sanidade expele toda e qualquer natureza que não cause celebração solar para cada célula usurpadora. Era comum a intensa ramificação oriunda de universos tão paralelos que mal sabiam residir calmaria entre as bochechas nada descontentes mas entre vias contaminadas de realidade, solenizava-se o instante zero na dor e na delícia de respirar o viver das coisas.
Lá onde o coração se renova, desabrocha no presente um futuro puro de fulgor inesgotável.
A nostalgia acalenta os fios entre noites marcada por estrelas compartilhadas e renova os ossos em um mergulho nítido ao que se chama de eternidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Let the sunshine in.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sem verbo

Gostava de formar laços de seda, de enrolar os dedos nos fios de telefone, de fitar as cordas do seu violino, desenhar livre em uma folha de papel, fazer carinho, dedilhar grãos de areia e principalmente de acompanhar a leitura passando a ponta do indicador pelas letras. Perto do coração que gravava movimentos articulados, vestia uma roupa tão desajeitada quanto seus ombros e saía de óculos de sol para ver o mundo menos escancarado. Gostava de fechar os olhos um pouco antes do sol chegar, de pedalar em ladeiras, tirar fios de cabelo do casaco e de encontrar chocolate na mochila. Paula tinha vergonha de admitir que ama receber flores, de dizer que detesta quando dizem que All Star está desamarrado e que de verdade não importa-se com o que dizem sobre sua maquiagem forte. Paula tinha vergonha dos seus joelhos de garoto, da sua coluna desalinhada e dos seus pés tão pequeninos quanto os de uma criança de dez anos. Paula odeia esportes e de fato não é porque ganha-se ou perde-se, mas porque é desastrada, não consegue correr, gritar ou pular em público. Paula gosta de falar na terceira pessoa, pois sente-se analisando a própria existência. Um botão faltando na blusa era capaz de deixa-la fora de si, mas nada a irritava mais do que tentar tirar pasta de dente de um tubo quase vazio. Ela era feliz, o problema era que isso nunca dependia muito dela. A vida gostava de irrita-la com os detalhes mais engraçados, mas às vezes era pesado demais para suportar sem lágrimas no final da tarde. Paula sempre quis guardar em um potinho os cheiros mais gostosos da vida, óbviamente que cheiro de livraria antiga, aeroporto e de pipoca entrariam fácil nessa lista. Colecionava coisas estranhas, guardava fotos aleatórias, difamava seus defeitos mais ridículos para cada célula do seu quarto. Ela gostava de estudar, o passo difícil era parar o que estava fazendo. Sempre muito curiosa, incrível como gosta de saber de coisas que ninguém repara mais. Achava cheiro de mamão a pior coisa do universo. Quando sentia-se sozinha, criava vidas entre as folhas de papel ouvindo músicas realmente gostosas aos seus ouvidos. Quando comia algum prato feito por alguém que amava, nunca mais esquecia o gosto. Andava de meias só quando o frio realmente arrepiava cada poro do seu corpo pequeno. Olhar nos olhos de um cachorro a fazia sentir paz. Cantar para Cristo a fazia sorrir.
O vapor do café a encantava, o sopro do vento a acalmava e deitar na canga para observar as estrelas era como se tudo voltasse a fazer sentido. Enquanto tomava banho, gostava de imaginar que estava em qualquer outro momento diferente para tentar encontrar soluções. Cada vez que ouvia uma gargalhada ser provocada por suas gracinhas, sentia-se ganhando um oscar.
Ainda que ela não soubesse bem se gostava de ser quem era, nada a fazia mais feliz no mundo do que amar alguém especial. Em contraste, nada a fazia mais infeliz no mundo do que não ser amada por alguém especial. Paula odiava sua mania de parar de ver séries na metade, vomitar, banana, anelídeos, Paulo Coelho e verde musgo. Sentia nojo de si mesma cada vez que provocava uma lágrima, mas quando era ela quem chorava... tratava de fugir do seu ego e ir dormir até outro dia chegar. Difícil mesmo era quando ela conseguia sentir um mês passando como se fosse um ano inteiro...

O que eu estou escrevendo?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Tela


O céu aberto é um convite para ir para qualquer lugar que te faça sorrir. Certas janelas lembram-me que viver é melhor fora das molduras. Bem dentro dos quadros, é assim que eu quero estar. Os cenários não me limitam, a criatividade pode fazer milagres quando precisamos ver o impossível entre as frestas. Pintar com os dedos, deixar a tinta diluir nossas lágrimas, soltar os medos entre os pincéis, dançar entre as manchas, confiar na arte para construir castelos.
Esse meu preto e branco já não é tão rock n' roll, anda precisando de uma tal valsa feita de cores fortes para desatinar a vida em arco íris.
Alguém ai tem lápis de cor?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Contos de farpas

Cantava bem baixinho em notas altas enquanto o céu cobria seus presságios. O fel do coração derramava-se no lençol carmim. Tecia hinos dourados como colméia ao sol que tentava amorenar sua constante palidez. Quando abriam suas páginas, sentia-se como bailarina de caixinha de música. Feliz por estar ali, encantadora ou importuna. Com olhos fartos pelo lustre de cetim, ajustava-se em tropeços, e com o tremor de suas mãos moldava seus delírios em retratos feitos de teclas. O latejar de sua mente era isolado, mas ela sabia voar. O murmúrio desvanecia-se como névoa dissipada pelo vento. Perdia o tino mas não sucumbia ás forças de bambos chãos. Paula era poesia estranha, rima diferente, palavra que não vinha a mente, verso meio desalinhado, involuntária melodia que resolve fazer parte quando menos se espera. Quando a loucura alheia a puxava para a doença, ela dançava. Dançava longe dos seus pés. Não deixava que pudessem rasgar a carne que já estava em seus ossos branquinhos, muito menos que assoprassem suas cinzas enquanto as minúsculas células desfaziam-se. O asfalto gritava palavras de um mundo em crise, enquanto do céu caiam lágrimas. Para sorrir, esvoaçava asas de cartolina e fazia-se pluma. Mas o que confortava mesmo, era a luz que afundava o quarto entre as brechas da janela de madeira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Era perceptível


André abandonava
Laura estava diante do seu primeiro amor. Não sabia muito bem como lidar, era nova demais para compreender como manteria algo tão forte dentro de si mesma. André era um jovem de beleza avassaladora que cultivava um amor profundo por ela. Era divertido, sensato e objetivo mas às vezes esquecia que Laura precisava sentir-se livre. André tocava guitarra e adorava bandas antigas. André gostava de dedilhar os traços de Laura enquanto ela dormia. André amava cozinhar com ela. André era escritor, mas nas veias era mais real que o próprio respirar. Em um show do Metallica, Laura gritou: "Quer casar comigo?" e recebeu um beijo com gosto de álcool como resposta. Laura de alguma maneira esperava que aquilo fosse um sim. Viveram um romance inesquecível, transpiravam paixão adolescente. Namoraram por longos anos até André mudar-se para o Canadá com sua família, juraram que isso não seria problema. Laura cresceu, André não mais. Eles nunca mais se viram, era tarde. Laura sentiu-se abandonada, ele nunca havia ligado para ela, nem mesmo mandado uma carta. André morreu em um acidente de trem. Laura nunca soube. Até que...
Laura conheceu Eduardo.


Eduardo magoava
Eduardo era um homem interessante, culto, não muito bonito. Eles não eram tão felizes juntos, mas Laura engravidou. Laura não gostava da idéia de ser mãe, mesmo assim os teve. Depois de sete anos de casamento, resolveram viajar sem as crianças.
Laura tinha acabado de vestir seu novo biquíni. Era cor de rosa e tinha lacinhos delicados nas laterais, mal podia esperar para chegar à praia. Sua pele era tão branquinha quanto um algodão mas ela não ligava, não via a hora de mergulhar. Ao chegarem, Laura arrumou as cadeiras, as cangas e o guarda sol. Era a segunda lua de mel do casal, seus filhos Bruno e Giovanna estavam em casa com a irmã de Eduardo.
Tirou o vestido, passou o protetor solar, colocou um lindo óculos de sol e sentou-se na cadeira. Seu marido a observou dos pés aos fios de cabelo e disse: "É melhor tomarmos cuidado para não comermos muito na viagem!!"
Laura logo entendeu que ele não havia notado que seu biquíni era bonito, ele observou o seu corpo e construiu com mais um saco cheio de tijolos um muro de insegurança quanto à auto imagem de Laura. Foi tão forte sentir-se feia que mesmo depois do divórcio em 1989, ela nunca mais saiu do maiô e mesmo assim ainda sente-se complexada dentro de um. Eduardo nunca a procurou novamente. O estranho era que Laura era uma mulher linda, não havia nada de errado com ela. Até que...
Laura conheceu Otávio.

Otávio esquecia
Otávio sempre foi um homem repleto de amigos. Possuia grande irritação nos olhos e sobrancelhas medonhas, pareciam taturanas. Otávio gostava de deixar a barba falhada e usar blusas largas. Nunca levou Laura para jantar sem as crianças. Odiava o macarrão que Laura fazia com dedicação e sorrisos múltiplos enquanto ouvia Chico Buarque.
Otávio odiava o barulho que os saltos de Laura faziam no piso de madeira. Odiava seu perfume forte e o modo que ela dormia esparramada na cama. Otávio era executivo e Laura dava aulas de piano. Otávio tinha os nervos quentes e Laura era a paciência em pessoa. A escova de dentes de Otávio era azul e a de Laura, lilás. Laura odiava os pelos de Otávio e o modo que ele fazia barulho mastigando. Otávio amava as pernas de Laura e seus seios fartos. Laura gostava de comprar roupas enquanto Otávio passava horas bebendo com seus amigos. Otávio nunca observou como Laura era angelical ao dormir. Otávio não gostava de sair com Laura. Ela sempre foi uma mulher delicada e entregue aos seus dons. Laura possuia fundos olhos azuis e silhueta afinada. Quando tocava o piano da sala, seus filhos sentavam para ouvir aquela corrente sonora como se a mãe fosse um anjo a ter caído do paraíso. Otávio via fórmula 1 e não comia salada. O tempo foi passando e Laura, Otávio, Bruno e Giovanna ainda estavam juntos.
Uma sexta-feira de novembro havia chegado. Laura acordou radiante, queria estar linda. Soltou seus fios claros, colocou seu perfume favorito e passou um batom de cor forte. Verificou se tinha algum telegrama, olhou a caixa de emails, passou meia hora olhando para o telefone. Ouviu alguém na porta e pensou que fosse o florista. Não era. Foi ao mercado com as crianças, comprou tudo o que precisava para fazer um jantar maravilhoso. Ao chegar em casa, arrumou todos os quartos, passou os ternos do marido e foi preparar o jantar enquanto as crianças brincavam. Já havia passado da hora de Otávio chegar. Laura ficou preocupada, ele não antendia ao celular. Laura pensou que ele deveria estar preparando uma surpresa para ela. O relógio bateu três da manhã. Laura observou o jantar tão frio quanto o seu marido, foi dormir com seus filhos e deixou que as lágrimas pudessem lavar suas bochechas da falta de sorrisos.
Otávio chegou no dia seguinte e havia esquecido de que tinha sido aniversário de Laura. Laura nunca o contou. Agora tinha três filhos: Breno, Giovanna e Otávio. Laura morreu aos quarenta e três em uma parada cardíaca ao lado de Otávio e desde aquele dia que ele havia esquecido de seu aniversário, nunca mais tinha sido sua mulher. Ela tinha feito o papel de mãe. Se não era uma mãe atenciosa aos seus filhos, imagine ao filho de cinquenta e oito anos. Eduardo ganhou a guarda dos filhos e dois meses depois, Otávio casou com a secretária de vinte e seis. Até que...
era tarde, Laura não conheceria mais ninguém.

Laura desperdiçou

O importante não foi quem supostamente esqueceu, magoou ou abandonou. No final era perceptível que Laura havia jogado fora a oportunidade de ter sido plenamente amada ao não ir embora das suas relações frustradas. Para ela, fugir do sofrimento era ausentar-se da própria vida. No último segundo de vida Laura entendeu tudo. Ela sentia falta de alguma coisa que não estava lá, mas não sabia o que era. Achava que era falta de casa cheia, de muitas pessoas. Quem sabe até fosse falta de si mesma. De pronto soube, já era.
Até que...

Laura reencontrou André.




sábado, 5 de junho de 2010

Entre gestos


No corpo carrega uma alma inifinita que conta um, dois, três para fechar os olhos e começar a sonhar. Tão pequena essa tal gigante que pensa que a vida é fácil de viver dentro dos olhos. Não sabe onde está, nem para o que veio mas sabe que seus pés sempre trilham o que o passado exala. Tão louca essa tal vibrante mania de ir embora dos pesadelos, menina que sonha com o que vê dentro do espelho. Ela sabe como pode ser uma tempestade lá fora porque dentro tem o sol. Sol agúdo que esquenta a tormenta dos seus motivos castanhos de não saber o que é. Tantas vezes acalentada em outonos infernais procurava abrigo no próprio peito. É perdida, mas pessoas parecem conseguir se encontrar com as suas palavras. Entre cada fronteira criava força entre ossos frágeis e destruia muros de aço com palavras de algodão. Para respirar trazia as palavras ao convívio, como um livro aguardava olhos que soubessem ler com atenção e ousadia de compreensão. Leve pintura de porcelana que estala, estala estala e se espatifa no chão quando não é iluminada por um faról de poesia. Quantos saveiros, quantos navios e quantos naufrágios dentro de do seu oceano orgânico a apontantavam como navegante das próprias ilusórias correntes marítimas. Quando precisava de um sopro de esperança, imaginava que alguém iria com ela pela vida, pelos passos, pelos poros, pelos sonhos e pelos ralos. Tão densa a armadilha de sempre ter que sentir seus fios soltos no ar, como se uma melodia não pudesse mudar o futuro de lugar. Quando a menina pisava fundo dentro do mar, era como se uma flor de gelo brotasse nos espacinhos entre os dedos de seus pés. Pés bailarinos e desengonçados eram regados por correntes veias azuis. Seus dentes dilaceravam emoções, mordia a vida com vontade. Seu corpo era estrelado de células dilatantes e branquinhas, que mergulhavam em serena nostalgia refugiada entre as raizes dos pêlinhos dos braços pequenos. Nostalgia que afagava a lembrança de ter sido livre. Livre entre giz de cera, casinha de madeira e pêlo de ursinho. Não deixe que o tempo a leve embora do que os nervos prendem e chamam de lembrança. Se o coração bater forte e lembrar, abra a gaiola e pinte um céu. Ela sabe voar para perto, para longe, para o vento. Mas se coração bater forte e pedir, abra a porta da sala, tire o casaco pesado dos seus ombros pequenos e a convide para sentar. Ela sabe permanecer e ao mesmo tempo levitar entre emoções em perfeita sintonia compartilhada. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente a liberdade de permanecer em tudo aquilo que importa entre os calendários que caem atrás do armário e nos fazem esquecer que o tempo não espera.








quinta-feira, 13 de maio de 2010

Retinas e pulsações



Quando a luz não vem de dentro, é melhor abrir as janelas.


Era hora de reinaugurar a própria vida, começar um caderno novo. Desdobrar-se em um oceano perdido. Sair da gaiola da própria mente e enfrentar as limitações do mundo. Pelas retinas rendia-se aos pés da impressão imediata. Pelo coração derramava-se aos braços do conhecimento ao outro. Seu coração estalava em articulada sintonia pulsante. Encostava os dedos no peito, mas não os conseguia afundar. Ela queria tocar seu coração de menina, embaralhar-se em veias e mapear seus labirintos em uma retina que pudessem refletir o que se sente dentro de um beco chamado espelho. Aos cacos sorria em servir. Precisava ser luz em luma. Silêncio de hospital. Ruído de banho abafado pela porta. Um par de pantufas no inverno. Margarida no cantinho do asfalto. Chocolate quente em caneca antiga. Brinquedo encontrado. Esconderijo de criança. Um barquinho de papel. Broncas para o bem. Personagem de desenho. A música escolhida para cozinhar sozinho. Espacinhos entre os dedos que fazem lembrar de algum contato com outra mão. Caneta imediata para anotar telefones. Chaveiro de viagem. Ursinho de dormir. Útero que forma. Coração que adota. Ar condicionado no calor. Lanterna embaixo da cama. Lápis de cor no estojo. Ouvinte atenta. Alianças de casais. Travesseiro com cheirinho de shampoo. Um poema sem rimas na gaveta. O balancinho no quintal da casa antiga. Mãos que fatiam lágrimas. Um sorvete favorito do verão. Casa pintada. Um biscoitinho de madrugada. O pulo na piscina. Sofá confortável. Arco íris. Dedos na grama. Resolução da prova de física. Malas prontas. A rede confortável. A coca-cola congelando. A praia de tardinha. Uma viagem em família. Uma massinha de modelar. Uma bailarina no centro da sala. O Rock n' roll no quarto. Um gatinho ronronando. Um segredo engraçado. Uma loucura boba. Seriado querido. Orquídeas na mesa. Pegadas na areia. Neve no telhado. Nomes escritos no ar. Tela recém pintada. MPB no churrasco. Grinalda da noiva maquiada. Constelação favorita. Pulo na cama. Suco de uva às quatro da tarde. Cuidado de esposa. Pai que chega cedo. Casinha de bonecas na grama. Um passarinho na janela. Bola que vêm por cima do muro. Ânimo de adolescente. A tatuagem eterna. Frasco novo de perfume antigo. Colo de mãe. Cheiro de livro novo. Sorriso tímido. Fita cor-de-rosa no cabelo. Cinema com pipoca e guaraná. Beijo de bebê. Pipa na mão do menino. As bochechas dos avós. Os vídeos da infância. Presente na porta do quarto. Oração secreta. Borboleta que pousa inesperadamente. Abraço que aquece o outro coração. Álbum de fotografias no armário. Um casaco na bolsa. Um beijo apaixonado. Janela de avião mostrando as nuvens. A conchinha diferente na praia lotada. Um pijama listrado. O filme devolvido. Uma frase que se espera. Um brigadeiro na panela. Arte na parede da garagem. Uma carta entre as contas. Uma gargalhada solta pelo quarto. Um conto inventado para dormir no escuro. Um abrigo na tempestade. Alguém. Alguém para te fazer sorrir.

Com os olhos cheios de cores possuía uma relação ainda sensível com seus diamantes não lapidados. Seus sinos ainda eram roucos. Estranhamente roucos. Mesmo assim, seu organismo implorava para que ela transformasse uma vida que fosse. Mas para isso, ela precisava transformar-se. Ela mergulhava ao encontro de si mesma e percebia que suas células entregavam fotografias para que guardasse com carinho. Ao gosto inato da dissolução noturna percebia que em instantes aprendia sobre suas próprias dores nas tristezas do mundo.

Paula via-se nas feridas das pessoas. Na solidão de quem afasta um amor e chora em um travesseiro frio. Na fome dos meninos da esquina. Nos preconceitos. Nos dedos apontados. Nos gritos. Nos hospícios. Na pipa presa no fio. Na fuga do bichinho de estimação. Nos lutos inevitáveis. Na monopolização. Na falta de amigos. Nas lágrimas que são derramadas em secreto. No livro sem leitor. Nas separações. Nos abortos. Nos assaltos. Nas irritações do cotidiano. Nas dores de cabeça. Na nostalgia que corrói. No escritor esquecido. Nas músicas de namoro antigo. Nas culpas sem remédio. Nos casamentos infelizes. Nas religiões. Na distância. Na falta de cobertor. Nos mendigos em papelões. Nas crianças que precisam trabalhar. No governo formado por ladrões. Nos professores que traumatizam. Na rejeição. Na miséria das mentes materiais. Nas purezas dos marginalizados que não são observadas. No teatro vazio. Nas portas trancadas. Nas histórias que não conseguem ter fim. Nas dores de coluna da mulher do prédio. Nos discos arranhados. Nos desempregados em desespero. Nos asilos. Nas mulheres que não podem ter filhos. Nos filhos que crescem sem seus pais. Na morte precoce. No atropelamento da vizinha. Na fratura do estudante. Nos velórios sem palavras de consolo. Nas brigas que afastam. Na falta de um perdão. No telefonema que nunca aconteceu. Nos pratos vazios. Nos envelopes sem cartas. Nas palavras ásperas e as nunca ditas. Nos abraços insossos. Nas lágrimas da criança. A beleza por dentro de um coração revestido em lataria. Nas minhas contradições, erros e atitudes patéticas. Na vida sem Cristo. Nas friezas dos médicos. Nos talentos que são enterrados no cemitério. Nas garrafas vazias. Na loucura porca nos bolsos políticos. Nas drogas pelo corpo. Nos hospitais e escolas públicas. Na tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não consegue ver. Em todo e qualquer peito que não pulsa o amor. Nós devemos ser a mudança que queremos presenciar em cada ser humano. É hora de abrir um novo caderno. Nunca é tarde para escolher uma nova capa motivadora e focar todo o fôlego em páginas em branco. Se for da sua vontade, comece você também. O novo incomoda porque nos desafia. O novo não precisa gritar, pois em silêncio já nos convida a trocarmos as lentes. O novo é ver no rosto do outro um espelho e em entusiasmo conservar viva a fome de alimentar outras vidas.



Não é engraçado quando olhamos outros olhos bem de perto e conseguimos ver nossos rostos? É, assim como se pudéssemos fazer alguma coisa...



domingo, 9 de maio de 2010

Minha MÃE


Em dias vinte e três de agosto ela fez alguém ser mãe e tornou-se mãe.

Quando nós somos pequenos nós imaginamos que elas sempre foram mães, porque de fato nós já nascemos vendo tal condição. Porém, muito antes de serem mães, foram garotas tão pequeninas quanto nós. Minha mãe não pode ser descrita apenas como uma mãe. Porque de fato antes de ser mãe ela foi filha. A responsabilidade de ser mãe é um fardo que ela nunca viu como um, mesmo cansando algumas vezes como qualquer uma cansa.
Ela sempre foi uma das pessoas mais puras que eu já conheci na vida. Às vezes é um vulcão que se explode em lavas sem culpa, como muitas vezes faço. Mas na grande maioria das vezes seus olhos mostram uma criança que nos faz ter vontade de abraçar até que ela sinta o quão amada é sem que eu diga e muitas vezes deixe de expressar. Ela é uma mulher encantadora.
Ela é forte, sempre foi forte. Nunca esqueci nenhuma vez que ela sentou para chorar comigo, muito menos as bobeiras que riamos em silêncio uma da outra. Eu sinto muito orgulho de ser filha de uma filha. Filhas que nasceram juntas em um mesmo domingo de agosto e que aprenderam, aprendem e aprenderão por toda a vida lições valiosas.
A relação 'mãe e filha' está longe de ser cor de rosa. A relação é vermelha. Vermelho humano.
É vermelha por ser intensa, louca, sublime, sólida e complicada ao mesmo tempo que é apaixonantemente inesquecível e irremediavelmente insubstituível. Filhos não são projeções, muito menos mães. Somos realidades inegáveis e nem sempre simples. Porém, somos amor. Amor este que não pode ser comparado a nenhum outro. Porque de fato fomos conectados por um cordão umbilical, por olhares que ninguém mais viu, por lágrimas, por consolos imediatos, por gargalhadas sinceras, por madrugadas sem dormir, por sangue, por grito, por força, por respiração, por dependência amiga e cristã. Mães amam filhos como amam a si mesmas, muitas vezes superam ainda mais o que sentem e filhos amam mães como heroínas.
Mãe, nosso encontro foi escrito por Cristo para que nós duas tivéssemos a chance de aprendermos, ensinarmos e principalmente nos amarmos de todo coração. Mãe, eu não estou te escrevendo só porque é dia das mães, de verdade. Eu estou te escrevendo porque sinto sua falta de um jeito inexplicável, ainda que esteja dormindo no quarto ao lado. Eu te amo, mãe. Eu te amo de verdade e eu não sei existir sem saber que você também me ama eternamente.
Eu me orgulho muito de você. Estamos juntas nesse caminho. Obrigada por tudo.
Parabéns por ser MÃE.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Continue




"O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela." (Fernando Pessoa)

Sempre que um livro termina sinto como uma despedida quase que injusta a uma história que talvez nunca mais continue. Poderia me dedicar escrevendo continuações, mas de fato continuaria sabendo que não foi assim que os personagens seguiram. Todos os personagens morrem. Não importa o final, eles sempre morrem. Em muitas das histórias você nunca mais pode saber sobre os acontecimentos daquelas vidas.
Sabe quando você acaba de ver um filme com final cretinamente subjetivo e sente vontade de nunca mais ver outro?
De fato nunca foi o pior final para mim. Os piores finais são aqueles que mostram um belo retrato e terminam com letrinhas brancas na tela tão escura quanto a minha tristeza de não poder continuar participando em secreto de todas aquelas mentes. Os nomes dos personagens apagam em rolagem sendo relacionados aos nomes dos atores. É por isso que eu me apaixono por diretores e escritores, porque são de fato o útero quentinho e libertino de cada personagem que acaba fazendo parte de nós mesmos.
Isso me fez tentar em pensar no quanto Cristo deve sentir-se triste ao ser limitado por nós a participar das nossas escolhas, detalhes, gargalhadas, lágrimas e momentos particularmente importantes. De olhos sublimes vendo nossas histórias do começo ao fim, coloca-se a esperar que sintamos sua falta. Somos tão pequenos que conseguimos limitar o criador das nossas próprias almas com burras tentativas de imaginar que sabemos alguma coisa sobre o amanhã que ele já viu muito antes de sonharmos em existir. É uma pena que muitas vezes o abandonemos e só comecemos a perceber que Ele sempre esteve a nos observar em sofrimento quando tudo desaba entre as entranhas dos nossos pensamentos egoístas e resolvemos voltar para o seu cuidado paternal. O mais bonito é que quando ele nos recebe novamente dos nossos abandonos ele não nos aponta o dedo humano. Ele nos derrama o seu coração em um sorriso e nos acaricia com suas mãos poderosamente perfuradas por nossos pecados. Talvez ele esteja implorando até hoje para que você o dê um "Oi, Cristo!".
Sempre pensei dentro da minha ingratidão humanamente decadente que nascer era um dos milagres mais covardes que pode-se existir. Acorda-se de um alarde obrigatório enquanto os pulmões gritam por ar e quando menos se espera você subitamente É. O que eu não sabia era que não era só uma condenação para sofrer, trabalhar desesperadamente para pagar contas e nunca livrar-se carnalmente de uma alma atormentadamente pensante em um corpo pulsantemente frágil e cruel, sem a morte. Sorte a nossa que estamos de passagem por essa gaiola infeliz. Porém isso não anula a responsabilidade de ajudarmos nas melhoras do mundo. Não existe possibilidade em imaginar-se não existindo, porque de fato fomos criados para sermos eternos. É exatamente por isso que a morte nos passa uma dor bruta, porque de fato não fomos criados para passarmos por ela.
Quando alguém nos dá um presente, nós não nos perguntamos o que precisamos fazer para aceita-lo. Basta receber. O valor desse presente está no sangue de um Soberano entregue por amor, oferecendo-o gratuitamente que escolha a eternidade.
Continue sua história.

sábado, 17 de abril de 2010

Just like a shot.

Não existe ruído mais atormentador que o som do silêncio.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Transformando o caos em cosmos.

Interpretar-se exige o desvestimento das falsas roupagens. Portas abertas para distanciar-se da realidade cotidiana externa, só por esse momento. Manchar a maquiagem, lançar a luz sobre a covardia, desqualificar o poder do esconderijo social e por fim pisar em sólidos empíricos, coligir os mantos em insana vontade de perceber que no centro dos pensamentos existem poderosas pulsões em ebulição inconsciente.
Entre raras, súbitas e violentas explosões das nossas constantes metamorfóses encontramos contradições pertubadoras, capazes de nos levar ao encontro audacioso de nós mesmos. As quais são igualmente necessárias para deslumbrar o intuitivo e projetar o futuro. A força do futuro está no momento presente. O esboço do futuro está no vestígio do passado.
O intuitivo apreende as coisas no seu conjunto e aquilo que atrai é o clima onde elas movem para seus destinos ainda incertos e obscuros. Entre o pensamento e o sentimento ocorre uma incompatibilidade semelhante.
Todo ser tende a realizar o que existe dentro de sua própria natureza pulsante. Como uma tendência instintiva de vivenciar plenamente potencialidades inatas ainda que em germe. Para evoluir, completar-se de algum modo afável.

Coloquei-me em questão por um momento e entre letras, abrirei as cortinas sem representar, sem nariz de palhaço, máscara de bailarina grega ou maquiagem de adolescente fora dos padrões de estética. Penetre a raiz dos meus pensamentos como quiser.

Tenho no peito o peso dos sentimentos fortes e genuínos pelo bem da humanidade o que não significa que não possa ferir ou destruir sem intenção malévola como uma força da natureza. Um vulcão, como descreve Marie-Louise von Franz, onde compara a expressão de afetos do tipo pensamento introvertido aos jatos de lava de um vulcão que não tem culpa de derramar caldos borbulhantes em uma terra frágil.
Apresento-me retraída, calma e silenciosa. Pouco abordável, difícil de compreender porque, digirida por forças brutalmente subjetivas, minhas intenções permanecem ocultas. Gerando enigmas que só podem ser explorados quando lanço luz pelos meus recantos e permito uma aproximação. Quando vista de perto, abro uma personalidade certamente acolhedora, algumas vezes cômica e repleta de desejos por sorrisos provocados por mim. Sou amplamente sensível às impressões provenientes dos objetos, das marcas, das entrelinhas. Fixo os olhos em todos os detalhes como se possuísse internamente uma "placa fotográfica". Gosto de colecionar nostalgias dentro das gavetas. Não tenho nenhum raciocínio diretamente ligado aos números. Letras, filosofia e arte na sua totalidade, conectam-se ao que mais me identifico. Sou atrapalhada, muitas vezes desastrada mas de alguma maneira, tenho suavidade nas coisas que seguro e que guardo. Sou sensível à atmosfera, os ambientes podem mudar rapidamente meu humor. Gosto de seguir pistas, analisar e não tenho medo de ser analisada. Porque de alguma maneira, jamais conseguiriam chegar em um ponto final ao me definir. De alguma maneira, gosto que prestem atenção aos meus sinais. Não existe ponto final quando trata-se da vida de um ser humano. Ninguém nunca vai conseguir SER algo, talvez chegar perto disso, mas de modo abstrato e singular. Gosto de surpreender.
Pareço individualista de primeiro encontro, mas daria a vida por alguém. Quando quebro meu orgulho, sou maleável e fácil de desvendar, mas para quebra-lo, preciso de segurança numerosamente exuberante. Alastro-me em jogos do espírito, gosto mesmo é de me questionar. Criticar cada expressão de descaso com o mundo que brota no meu coração contraditório e muitas vezes hipócrita com a minha amada referência cristã. Devemos ter como objetivo um constante desejo de nos colocarmos a salvo das engrenagens desse sistema opressivo.
Antes de dormir oro por pessoas que nem sei o nome, espero os sonhos chegarem.
Trato meus sonhos como auto descrição da vida psíquica. Encaro a íris dos olhos da minha própria psique sem medo do que posso ver. Já tive sonhos reativos, intuitivos, "grandes e pequenos" (definição de Jung). Irradio de felicidade quando acordo e percebo a delícia de respirar para um novo dia. Pela certeza de ter um anjo tutelar entre meus anelos.
Desdobro-me em profundidade secreta e intensa, mas deleito-me em destronada simplicidade. Ressonho a vontade de ser alguém menos seletiva, por mais que não selecione tanto assim.
Sonho com um mundo sem olhares diferenciados, onde pessoas percebem nos olhos opostos aos seus uma maneira de pintar o céu na terra. Nós não fazemos ideia de como pequenas atitudes singelas podem transformar dias, construir sorrisos e partilhar sofrimentos ávidos. No âmago de nós mesmos abandonamos as relações como quem aprendeu a aproveitar os dons, nessa constante falsa ideologia de troca de favores que dizem que é natural ter-se. Espero de verdade gritar para o mundo que nós não devemos fazer coisas com intuito de receber. Essas nossas armadilhas hábeis e lamentáveis só nos tornam iscas da nossa própria insensatez capitalista e plástica, capaz de deslumbrar um mundo de constante queda espiritual. A mente humana está aberta ao reconhecimento fascinante da nossa conexão tão evidente entre nós mesmos.
Transforme o caos em cosmos, desvende-se.

sábado, 13 de março de 2010

Chega

Cansei tanto, mas tanto.
A sorte é que eu O tenho e Ele sabe o que passa dentro do meu coração.
Se Ele sabe, eu não preciso mais me preocupar. Mesmo assim, dentro de mim corre um grito explosivo que simplesmente precisa sair da boca para tudo. Eu cansei e não existe coisa mais cruel do que não respeitar um sofrimento, do que apontar, do que dizer o que não tem ideia, do que agitar um mar que está calmo. De qualquer maneira, volto a dizer: Jesus conhece as minhas lágrimas, as minhas ações e o meu coração. Espero trazer boas palavras outro dia, hoje simplesmente não dá. Esse é o preço que se paga por se esforçar, por tentar ser uma pessoa melhor. É, mas tudo bem. A melhor coisa que se tem é estar em paz com as próprias atitudes. A verdade é que não dá mais para aturar o peso das palavras desnecessárias. Definitivamente não estou bem. Por hoje basta.

Vertigem


Talvez eu não tenha tido a infância ideal, talvez eu nunca tenha tido uma adolescência voraz e legal de se lembrar. Talvez eu nunca tenha vivido as fases que eu precisava ter vivenciado intensamente. Sempre fui obrigada internamente a crescer muito rápido, não é que eu tenha controlado uma casa, ou tenha tido grandes responsabilidades, não mesmo. Longe disso. No fundo eu sempre me senti adulta. Isso não anula alguns comportamentos típicos de cada idade. A realidade é que sempre me senti diferente e escutei muito a grande maioria das pessoas ao meu redor perceberem o mesmo. Eu não sei até que ponto isso é bom, sei que cresci e continuo não vivendo as idades como elas deveriam ser vivenciadas e isso me preocupa.
Estou cansada de pintar meus quartos vazios. Estou cansada de não me sentir vivendo de verdade. Não é que eu não tenha calma, ou que precise de intermináveis doses de emoções baratas para me sentir bem. Simplesmente quero algo novo, quero uma vida nova. Eu ainda não sei os passos, mas sei que chegará cedo ou tarde.
É tão bom quando a gente sabe onde quer chegar. Eu não quero me arrepender do que eu não vivi apenas segundos antes do coração parar de bater. Eu preciso que isso aconteça em breve, sem espera. Isso não é nenhum convite para uma vida irresponsável, longe disso. É um convite íntimo para aproveitar os detalhes simples com maior atenção. Eu não quero manuais para existir, eu não quero receitas de bolo. Eu quero estar comigo, eu quero aproveitar o tempo que eu tenho perto de mim mesma. Quero rir o meu riso, quero ser fiel aos meus sentimentos. Quero poder driblar perigos e deitar na paz interna que só a gente sabe onde encontrar. Encontro essa paz em Cristo, muitas vezes no sorriso das pessoas que eu mais quero que jamais saiam do lar que construí para elas.
Hoje eu só quero querer. Eu quero afundar os pés na areia. Eu quero brincar na rede. Eu quero deitar com a claridade do sol fora do quarto. Eu quero tomar sorvete na praia. Eu quero contar estrelas do céu deitada na canga com alguém. Eu quero correr na grama. Eu quero dançar sem ninguém ver. Eu quero subir em montanhas altas. Eu quero jogar em um clima congelante, sentada no tapete com cobertores e lareira quentinha. Eu quero mergulhar no mar gelado. Eu quero fazer carinho na minha gatinha. Eu quero fazer um bebê gargalhar. Eu quero ler livros emocionantes. Eu quero sair sem rumo. Eu quero alugar filmes engraçados. Eu quero comer pipoca no cinema. Eu quero me sujar de tinta. Eu quero passar um dia inteiro descabelada. Eu quero ver uma noite transformar-se na explosão azul que o sol abre. Eu quero ter filhos. Eu quero fazer loucuras bobas. Eu quero chorar e sorrir com alguém ao meu lado. Eu quero ter amigos de verdade. Eu quero alegrar o coração Dele. Eu quero viajar. Eu quero escrever um livro. Eu quero conhecer pensamentos novos. Eu quero ralar meu joelho fazendo algo que nunca fiz. Eu quero subir em uma árvore para pensar. Eu quero ajudar alguém. Eu quero ouvir. Eu quero tomar coca-cola gelada. Eu quero cozinhar para alguém. Eu quero arrumar um cômodo prestes a receber uma visita gostosa. Eu quero ter paciência. Eu quero ser cada vez mais comovida pelas dores do mundo. Eu quero fotografar o que ninguém mais presta atenção. Eu quero pintar uma tela. Eu quero escolher rosas para mim mesma. Eu quero pintar as unhas de azul. Eu quero fazer planos. Eu quero sair para respirar a beleza do que está fora de mim. Eu quero sonhar acordada. Eu quero usar um vestido novo em uma festa. Eu quero andar descalça na grama. Eu quero usar um casaco quentinho. Eu quero respirar sem sentir essa água que cobre meus pulmões. Eu quero poder olhar as luzes da cidade de uma janela bem alta. Eu quero achar bichinhos nas núvens. Eu quero fazer telefonemas inesperados. Eu quero criar melodias diferentes. Eu quero escrever mais. Eu quero ver diversos sentidos bons na vida.
Eu quero nunca parar de querer a liberdade de ser livre até em prisões humanas.

terça-feira, 2 de março de 2010

A Escolha


Coroa de espinhos. Amor incontido. Cruz pesada. Cuspes. Tapas. Pregos. Torturas. Feridas. Insanidade.
Sangue. Lágrimas. Dor. Deboche. Tristeza. Barbaridades. Entrega. Perdão.
Houve luz, uma explosão no céu terreno. Um Big Bang em células humanas. A criação de uma nova terra iniciou-se por uma única vida. Um exemplo de novo Adão para a humanidade. "Adão" que foi feto, menino e homem. Deus que desceu para ajudar seus filhos. Ninguém precisou ir até Ele para implorar que nos desse uma chance. Ele desceu. Limitou-se aos passos humanos, ao tempo, as dores. Chorou nossas lágrimas, riu nossos risos, limpou nossas almas, curou nossas feridas, surpreendeu nossos dias, acalmou nossos corações, transformou nossas vidas, nos mostrou milagres incríveis, guiou nossos caminhos, mostrou que somos iguais e rendeu-se por amor. Jesus tinha o poder de sair daquela cruz a hora que ele tivesse vontade. Jesus escolheu o sacrifício.
Ele ressuscitou e ao mesmo tempo sempre existiu. Ele sabia do exato momento que você leria essas linhas, antes mesmo do ventre da tua mãe.
Faça o que quiser com essas informações, mas lembre que essa oportunidade chegou até você.
Talvez você nunca tenha falado com Ele.
Talvez você não acredite na divindade Dele.
Talvez você já tenha O zombado como tantos.
Talvez você já tenha O culpado pelos problemas da sua vida e do mundo.
Talvez você nunca tenha passado uma tarde com Ele.
Talvez você não saiba o quanto Ele gostaria de vê-lo chegar perto.
Definitivamente Ele não é apenas um arquivo dos livros de história por ter dividido o mundo em antes e depois. Assim como definitivamente não foi apenas um ser iluminado que passou lições de solidariedade.
Nosso descaso pelo seu Amor tem nos construído corações de aço, olhos cadavericamente insensíveis e bocas gargalhando a insanidade do prazer de sermos cada vez menos humanos. Estamos sempre insatisfeitos com o que conquistamos, sentindo fome e sede de ter o que as vitrines criam dentro das nossas entranhas frias. Deixe-o cuidar de você.
O mundo continuaria intacto sem você, pessoas certamente poderiam substituir a sua existência, mas Ele te escolheu. Ele o desenhou, Ele pensou no seu nome enquanto nos deixou derramar o Seu sangue com a nossa insensatez marcante. Não existe um só de nós que tenha sido perfeito. Não existe. Estamos em uma constante queda, cada vez mais no fundo de nós mesmos. Não penetramos mais nosso espírito, nossa alma basta para atender os chamados da carne. Parecemos porcos fazendo outros porcos de lama. Quantas vezes por dia nós cuspimos na face de Cristo? Quantas vezes por dia nós o colocamos uma coroa de espinhos?
Quantas vezes nós O fustigamos?
Milhares. O mais apaixonante é que não importa o que a gente faça, Ele nunca deixará de nos amar, nunca. O maior exemplo disso é a própria cruz. Nós nunca saberemos o peso daquela cruz, a dor física e espiritual que ele sentiu, ainda sim Ele pedia aos céus para que o Pai nos desse o perdão. Seu sangue é o perdão. Ainda que todos nos abandonem, Ele sempre vai estar esperando o primeiro "Oi, Deus." para celebrar as nossas vozes. Não existe boa ação que faça Deus te amar mais, nem má ação que faça Deus te amar menos. Isso não significa que Deus não se alegra quando você abraça alguém como se estivesse abraçando ao próprio Criador, nem que Ele não chore quando percebe você indo para a trilha da dor. Para passar a eternidade ao Seu lado, basta um Sim. Basta crer que Ele é o único que nos pode levar aos céus. Você definitivamente não precisa fazer esforço algum para ganha-la, é uma questão de fé.
Não existe nada mais lindo do que ser incondicionalmente amado pelo Criador do universo. Nenhuma palavra pode traduzir o prazer que eu sinto em saber que Ele não nos abandonou.
Não tem como agradecer o que Ele fez por nós, teriamos que dizer um "Obrigada" à cada batida dos nossos corações e mesmo assim não seria o suficiente. Porém, confesso que tenho sentido o prazer de alegrar o coração dele com detalhes. Muitas vezes estarei cometendo o que reprovo na humanidade durante toda a minha existência, o que eu mais quero é poder esboçar um pouco de Deus em cada relação que a vida me doar. É uma escolha.
Não importa o que digam sobre mim, nunca vai importar. Agora é hora de abraçar o mundo e agradecer por cada ser humano maravilhoso, que Ele tem colocado no meu caminho. Mas hoje, especificamente hoje, gostaria de agradecer pelos seres humanos que mais me machucaram, porque eles me fizeram aprender a apontar as minhas fraquezas bem no íntimo. E peço perdão a Deus e a cada um se não pude expressar o quão amável é ter Jesus. Espero que cada um possa sentir o meu perdão sobre as coisas que tenham feito, com arrependimento ou não de tais ações. Eu estou cansada dos nossos julgamentos, das nossas eternas hipocrisias e da velha mania de apontar. Chega, não dá mais tempo para isso. Faça uma escolha, ame.
Fale com Ele hoje
"Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele" (Apocalipse 3,19).

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tem alguém na porta


Deixe a vida entrar com que ela quiser.
Deixe o céu abrir com a cor que ele apresentar.
Deixe o mar molhar os cabelos com a temperatura de um grito seco.
Deixe os sonhos mergulharem no mais obscuro medo do seu peito.
Deixe o seu corpo dançar a música que você tem mais vergonha
Deixe sua voz pedir por uma frase de impacto que só você entenda.
Toc.
Toc. Toc.
Toc.
Toc.
Se alguém chegar com frio, é porque você tem o cobertor mais quentinho da cidade. Se alguém chegar com fome, é porque o seu almoço está querendo outro ventre. Se alguém chegar com uma lágrima, é porque você tem a alegria e ombros amigos. Se alguém chegar com um sorriso, é porque você tem um ótimo modo de comemorar. Se alguém chegar com medo, é porque você tem o abrigo. Se alguém chegar atordoado, é porque você tem o silêncio. Se alguém chegar com falta de esperança, é porque você tem as palavras certas. Se alguém chegar com ódio, é porque você pode dar amor. Se alguém chegar com mentiras, é porque você pode rebater com a verdade. Se alguém chegar com uma piada, é porque você tem uma gargalhada. Se alguém chegar com sede, é porque você tem água gelada. Se alguém chegar com dúvidas, é porque você tem a fé. Se alguém chegar com calor, é porque seu ventilador está funcionando muito bem. Se alguém chegar com o luto, é porque você pode mostrar um pouco de Deus. Se alguém chegar com tédio, é porque você tem os programas diferentes embalados por um delicioso gosto musical. Se alguém chegar querendo um amigo, é porque ele pode ser você. Se alguém chegar cansado, é porque você tem uma cama confortável e ótimos filmes engraçados. Se alguém chegar com desequilíbrio, é porque você tem a segurança. Se alguém chegar, é porque você está ai.
Sempre que baterem na porta lembre-se que é porque existe um pouco das melhores atitudes do universo dentro do seu peito. Queira abrir a porta. Quando você precisar, estaremos todos aqui. Ele sempre capacitará alguém para acolher suas necessidades quando bater, mas não deixe de ouvir quando Ele estiver tentando te capacitar para abrir a porta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Internalize para externalizar



Voando ao susto do sentimento súbito, percorro meu itinerário afundando-me pelos labirintos da alma conformada. Ainda que a terra me percorra, ninguém do solo poderia me definir por completo. Meu vôo é lânguido e aterrisa entre as núvens mais claras dos meus pensamentos. Fragmentada em palavras desconexas, atiro-me no abismo do meu entendimento nítido. Conforme me exploro, as palavras embalam-me e transformam minha agonia em melodia lúcida. Só assim posso enxergar as páginas, sob um espectro de luz grandiosa. Sinto-me mergulhando nas certezas do mundo. Em queda rápida e serena sinto os planetas desconhecidos acariciarem meus mistérios, com seus tênues espinhos verdes.
Minha essência derrama, transborda, modifica. Enquanto soprava minhas feridas abertas, o vento atirava-me para longe de mim mesma. A nostalgia do futuro umedecia meus olhos escuros, contraindo meu peito ainda mais que os botões vestis. Pouco a pouco o coração afagava minhas lágrimas silenciosas e não deixava espaço para as fúrias passadas. Não havia tempo para o rancor. Não há mais tempo para a raiva humana dominar os nossos pensamentos e atitudes.
O mundo está gritando. Não precisa abrir a porta, ligar a televisão, nem escancarar todas as janelas para escutar. O grito está dentro de você. Já gritamos a tanto tempo juntos que desaprendemos a ouvir. Somos tão dependentes uns dos outros que é ilusão pensar que estamos sozinhos. Esta dependência é tão evidente, que ao negá-la, só estamos demonstrando o quanto somos orgulhosos e incapazes de admitir a nossa pequenez. Ainda que te abandonem, existe algo que nos responde no íntimo. Estamos de alguma maneira misteriosamente conectados, mesmo que tão diferentes um dos outros.
Não deixe o sistema vendar seus olhos. Estamos incorporando novas formas lamentáveis de render nossos corpos a uma espécíe de hedonismo e materialismo irracional. Hipócritas seremos até o último dia das nossas vidas, querendo ou não, é um espinho humano. Uma condição.
Embora sejamos fracos e dependentes um dos outros, e que reconhecer isso, não evidência uma baixa auto-estima, e sim a capacidade de reconhecer aquilo que somos enquanto indivíduos, enquanto seres humanos, compreenda que cada vida é um livro a ser minuciosamente explorado com amor e atenção. Se não quisermos sofrer as conseqüências da dependência negativa, teremos que nos auto-organizar.
É interessante observar como cada um possui um grau próprio de disponibilidade interna para lidar com as demandas externas. Isto é, algumas pessoas são capazes de se manter ligadas ao mundo exterior por mais tempo que outras. A dependência saudável nos torna cada vez mais ágeis, mais livres para fluir. Lanço minha voz ao vento, sem ponto de partida ou chegada. Clandestina, passageira, minha história é o presente. O presente é o meu futuro.
Cada vez que perco-me dentro de mim mesma, olho para o mundo e percebo um pouco de céu, não porque assim vejo, mas sim porque ainda acredito em todos nós.
"No meu coração fiz um lar, o meu coração é o teu lar."


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tic Tac



Estava quase na hora. A cama parecia um ninho. Eu enrolada em um cobertor cor de primavera, sentindo minha alma como um prédio abandonado, num bairro em que ninguém era capaz de me conhecer por completo. O relógio foi correndo, os ponteiros giravam para lá e para cá. Levantei num grito e subi na mureta. Sem pensar em nada, olhei fundo lá para baixo determinada a me jogar como um herói que salta de um edifício e sabe que vai voar. Parecia que balões flutuantes me guardariam na proteção colorida. Eu voaria para a liberdade.

Foi então que o despertador tocou acordes gritantes. Algo me veio a mente desenhando letras deliciosas por uma lembrança passada do cuidado Dele comigo. “O sol me acordou em silêncio, mas parecia iluminar cada célula com tom de mistério. Pode um relógio marcar as horas da sua vida, Paula? É Deus quem marca as horas da sua vida. E olha que sol lindo Ele escolheu para acordar você!" Não importa o que pensem sobre Ele, ninguém nunca irá defini-lo em fase terrena. Mas importa muito o que Ele pensa sobre você. Ele não julga. Nada do que possa fazer irá mudar a condição dele acorda-lo com um sol brilhante, cheio de vontade de iluminar seu sorriso. Você foi escolhido, talvez um dia consiga perceber a responsablidade de ter um objetivo nessa esfera azul, assim que tira-la de dentro do seu umbigo e começar a percebe-la dentro do outro, como um coletivo cordão umbilical. Que tal deixa-lo surpreender você hoje?

Basta pedir e perceber.

Boa sorte, o despertador começou a tocar.


Dentro de mim explode uma festa que não sabe ser muda.
Cores explodem no meu interior, e eu nem preciso estar feliz.
Não estou buscando por intensidade, existe uma calma tão alegre.
Meu coração insulta uma natureza abertamente Paula, No campo das idéias, o existencialismo tornou-se a grande mania do meu refúgio. Como paradigma, acerbo das provações a expurga, a tempera, a nobilita, a regenera. Então vim a perceber vivamente que imensa é a sorte de podermos mudar nossos discos. Na minha simplória opinião, a culpa, se é que existe alguma, deve ser aquela do que não foi feito.
O que importa de verdade é dançar mesmo assim, porque lá fora derramam dias
repletos de chances de nos reinventarmos.
Tenho mania de ser feliz, Essa é a minha loucura e também a minha contradição.
Não gosto de crianças de castigo por sujar a roupa, peixes em aquários, pés cheios de saltos, cachorros em coleiras, pássaros engaioados, água em garrafas, espelhos sem visitas...
Eu gosto mesmo é de observar a vida acontecer. De fotografar meus ponteiros e aproveitar cada segundo desse universo tão carinhosamente feito pelo Criador.
Não importa mais o que gostam de pensar ao meu respeito.
Não importa mais o que precisam fazer para me traduzir.
Não importa mais o que acham entendem sobre a minha natureza.
Não importa mais o carma de tentarem me definir.
O que importa de verdade é que eu sei quem eu sou e Ele também.
Hoje eu me sinto muito mais envolvida com o tato das minhas profundezas, com meus mistérios, impulsos e conflitos. Porque temos em nós o poder de não sermos e apenas estarmos.

"Não fui o que os outros foram
Não vi o que os outros viram
Mas por isso, o que amei,
amei sozinho."


Silêncio