sábado, 5 de junho de 2010

Entre gestos


No corpo carrega uma alma inifinita que conta um, dois, três para fechar os olhos e começar a sonhar. Tão pequena essa tal gigante que pensa que a vida é fácil de viver dentro dos olhos. Não sabe onde está, nem para o que veio mas sabe que seus pés sempre trilham o que o passado exala. Tão louca essa tal vibrante mania de ir embora dos pesadelos, menina que sonha com o que vê dentro do espelho. Ela sabe como pode ser uma tempestade lá fora porque dentro tem o sol. Sol agúdo que esquenta a tormenta dos seus motivos castanhos de não saber o que é. Tantas vezes acalentada em outonos infernais procurava abrigo no próprio peito. É perdida, mas pessoas parecem conseguir se encontrar com as suas palavras. Entre cada fronteira criava força entre ossos frágeis e destruia muros de aço com palavras de algodão. Para respirar trazia as palavras ao convívio, como um livro aguardava olhos que soubessem ler com atenção e ousadia de compreensão. Leve pintura de porcelana que estala, estala estala e se espatifa no chão quando não é iluminada por um faról de poesia. Quantos saveiros, quantos navios e quantos naufrágios dentro de do seu oceano orgânico a apontantavam como navegante das próprias ilusórias correntes marítimas. Quando precisava de um sopro de esperança, imaginava que alguém iria com ela pela vida, pelos passos, pelos poros, pelos sonhos e pelos ralos. Tão densa a armadilha de sempre ter que sentir seus fios soltos no ar, como se uma melodia não pudesse mudar o futuro de lugar. Quando a menina pisava fundo dentro do mar, era como se uma flor de gelo brotasse nos espacinhos entre os dedos de seus pés. Pés bailarinos e desengonçados eram regados por correntes veias azuis. Seus dentes dilaceravam emoções, mordia a vida com vontade. Seu corpo era estrelado de células dilatantes e branquinhas, que mergulhavam em serena nostalgia refugiada entre as raizes dos pêlinhos dos braços pequenos. Nostalgia que afagava a lembrança de ter sido livre. Livre entre giz de cera, casinha de madeira e pêlo de ursinho. Não deixe que o tempo a leve embora do que os nervos prendem e chamam de lembrança. Se o coração bater forte e lembrar, abra a gaiola e pinte um céu. Ela sabe voar para perto, para longe, para o vento. Mas se coração bater forte e pedir, abra a porta da sala, tire o casaco pesado dos seus ombros pequenos e a convide para sentar. Ela sabe permanecer e ao mesmo tempo levitar entre emoções em perfeita sintonia compartilhada. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente a liberdade de permanecer em tudo aquilo que importa entre os calendários que caem atrás do armário e nos fazem esquecer que o tempo não espera.








2 comentários:

luna disse...

e que essa menina nunca morra. amém.

Martha disse...

Texto lindo.... Pura poesia da menina que está se fazendo mulher. Filhota, te amo muito.

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