sábado, 20 de agosto de 2011
Pura flor de vento gris
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tudo aquilo que não cabe em caixas de papelão.
Seu ninho era quente, e mesmo que emaranhado de espinhos, era confortável e carecente. Mas quando seus ossos começaram a esticar, as dores apareceram por toda parte e minúsculo ficou o espaço para que seus ossos pudessem tomar forma. Somente um sutil bater de asas poderia acariciar seus penares, mas não queria aprender a voar. Suas asas estavam cortadas por amor e na garganta sentia a dor das palavras presas. A pequena menina já não era tão pequenina, mas seus olhos continuavam os mesmos, mas naquele momento estavam fixos e perdidos. Sem horizontes e sem ternura. Estava imóvel e frágil como um jarro de cristal. Ela não conseguia mais permanecer à margem de si mesma e de colos rompidos pelo silêncio. Pegou impulso, esticou as asas de porcelana e foi num fluxo de vento atormentante que lançou-se ao mais profundo abismo aterrador. Espatifou seu coração em milhares de pedaços estrídulos. Ali estava seu velório. Desfalecida em seu próprio berço gemia a dor da morte. Assassinou a criança que existia em cada célula e descobriu que crescer era um torturante palco de luz, a distância era um grito vermelho. Seu peito estava dilacerado e nada, nenhuma dor, nenhum ser humano havia causado amputação parecida a qual pudesse ser similar ao corte profundo que ela mesma feriu-se.terça-feira, 21 de junho de 2011
Gobelin
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Grito histórico
"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Jung)
Ao andar pelas ruas da cidade, sinto-me como quem já não consegue render-se a suposição irrefletida . Sinto tênue calmaria em penetrar os rostos mais conflituosos e ver beleza na simplicidade da rotina desconhecida de cada traço facial. Presto muita atenção em gargalhadas libertinas, ombros curvados, gravatas apertadas, mãos fechadas, pernas duras entre passos espavoridos, sapatos coloridos, lábios glaciais e qualquer ruído que dê resplendor ao meu olhar analítico. Como se fossem obras de arte, percalço a intransigência de participar da ressonância espectral que cada ser humano emite sem dizer. Imagino suas súpilicas, valsas de aflição, ofícios fúnebres, manias peculiares, nomes próprios, angustias espantosas, ansiedades imaculadas, endereçoes , sonhos de cristal, risadas queridas e problemáticas lânguidas que possam passar pela retina da sociedade como impróprio.
Temos por essência arisca um apego a exaltação de nossas falsas magnificiências, vomitar intelectualismo de gaveta e aplaudir ao nosso constante hábito de atribuir-nos virtudes improváveis. O ponto curioso da prática antropológica que cada ser humano acaricia é esse tal desespero para manter-se dentro de hegemônia conservadora. Os julgamentos fulminantes que levitamos entre as bocas sujas perante ao outro, não é nada mais, nada menos, que uma mania violenta de enraivecer as estruturas pelo orgulho de julgar a si mesmo como mais um belo exemplar do sistema. A auto afirmação sempre foi um prato perigoso para incinerar mentes abertas em campos afastados enquanto tême-se a matança da máscara que cobre o infectado coração humano. Mergulhamos entre febres de luxúria, fermentação da cobiça, idolatria irracional ao insulto, amor aos julgamentos exagerados aos outros, que valorizem ao próprio reflexo, falta de compaixão aos momentos ingratos das personalidades humanas e principalmente o prazer do hábito da incompreenção. Mergulhar na decadência de agirmos como vermes carniceiros só nos conduz ao morredouro dos nossos presságios. Pisar nessa terra ferida e travar o conhecimento do outro é como fazer com que não exista nenhuma lógica racional em Alguém ter derramado sangue em nossas veias lívidas. Demência desavergonhada, é isso que temos em nossas loucuras mais petrificadas.
Se cada um de nós sentisse ao menos a vontade de refletir um olhar materno perante ao outro, não seriamos tão escravos da estremicida sensação de dissuadir o real sentido de respirar entre as horas mortas desse céu denso. Liberte-se do seu medo encarniçado de descobrir que precisamos em grau de urgência, de um alarme a vulgarização dos nossos sentidos obscuros. Perceba a candura dos olhos das pessoas. Não sinta prazer em pastorear rancores, nem de tatear trevas. Compartilhar amor, não dói. Chega de supertições sociais, de tardia revelação de carinho entre os seres humanos. Apazigue e finalmente deixe de acordar pela metade. Bom dia.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Palco aberto
O que constitui o ser e a natureza das coisas é o que existe por trás das cortinas. Apenas aquele que não possuir entre as veias um sangue vermelhamente desprovido de hipocrisia, não sente que o pensamento nada mais é do que o ensaio da ação consciente. Nada se finda nem inicia-se sem o processo subsequente. Muitas das atitudes que julgamos levianas e inconsequentes começaram lá onde o inconsciente fotografa como uma chapa desprovida de esquecimento. Atirar-se na voragem da descoberta de si próprio exige o despejo de toda maquiagem sanitária. Vomitar as epístolas e frases de bolso faz com que nossos ouvidos dilatem o verdadeiro sentido de se transitar a arte de cada um. Inquirir a inocência perdida entre os anos só nos causa verdadeira sensitiva indagação. Só aquele que conhece e assume o passado, sabe que a força está agora, prontificada recentemente para fazer e ser o que se quiser. Não tenha receio nem desonra de ser quem habita o peito falho, apenas assuma a farda do bem e utilize-se para uma nova era de amor indiscriminado. Seja quem você gostaria de passar o resto da vida ao lado. Agora sim, faça sua arte: Mude roteiros sem precisar ser teatral. Ria e faça rir.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Regenerar-se

O que é distante mora ao lado do que de perto aguça o peito gris. Não existe cólera ociosa no pensamento que permeia o poder inalienável de vivenciar como momento aquilo que se sublima constantemente . Presenças intocáveis deixam retalhos pela epiderme lasciva. Entre tricomas curtos e finos a sanidade expele toda e qualquer natureza que não cause celebração solar para cada célula usurpadora. Era comum a intensa ramificação oriunda de universos tão paralelos que mal sabiam residir calmaria entre as bochechas nada descontentes mas entre vias contaminadas de realidade, solenizava-se o instante zero na dor e na delícia de respirar o viver das coisas.
Lá onde o coração se renova, desabrocha no presente um futuro puro de fulgor inesgotável.
A nostalgia acalenta os fios entre noites marcada por estrelas compartilhadas e renova os ossos em um mergulho nítido ao que se chama de eternidade.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Sem verbo
Gostava de formar laços de seda, de enrolar os dedos nos fios de telefone, de fitar as cordas do seu violino, desenhar livre em uma folha de papel, fazer carinho, dedilhar grãos de areia e principalmente de acompanhar a leitura passando a ponta do indicador pelas letras. Perto do coração que gravava movimentos articulados, vestia uma roupa tão desajeitada quanto seus ombros e saía de óculos de sol para ver o mundo menos escancarado. Gostava de fechar os olhos um pouco antes do sol chegar, de pedalar em ladeiras, tirar fios de cabelo do casaco e de encontrar chocolate na mochila. Paula tinha vergonha de admitir que ama receber flores, de dizer que detesta quando dizem que All Star está desamarrado e que de verdade não importa-se com o que dizem sobre sua maquiagem forte. Paula tinha vergonha dos seus joelhos de garoto, da sua coluna desalinhada e dos seus pés tão pequeninos quanto os de uma criança de dez anos. Paula odeia esportes e de fato não é porque ganha-se ou perde-se, mas porque é desastrada, não consegue correr, gritar ou pular em público. Paula gosta de falar na terceira pessoa, pois sente-se analisando a própria existência. Um botão faltando na blusa era capaz de deixa-la fora de si, mas nada a irritava mais do que tentar tirar pasta de dente de um tubo quase vazio. Ela era feliz, o problema era que isso nunca dependia muito dela. A vida gostava de irrita-la com os detalhes mais engraçados, mas às vezes era pesado demais para suportar sem lágrimas no final da tarde. Paula sempre quis guardar em um potinho os cheiros mais gostosos da vida, óbviamente que cheiro de livraria antiga, aeroporto e de pipoca entrariam fácil nessa lista. Colecionava coisas estranhas, guardava fotos aleatórias, difamava seus defeitos mais ridículos para cada célula do seu quarto. Ela gostava de estudar, o passo difícil era parar o que estava fazendo. Sempre muito curiosa, incrível como gosta de saber de coisas que ninguém repara mais. Achava cheiro de mamão a pior coisa do universo. Quando sentia-se sozinha, criava vidas entre as folhas de papel ouvindo músicas realmente gostosas aos seus ouvidos. Quando comia algum prato feito por alguém que amava, nunca mais esquecia o gosto. Andava de meias só quando o frio realmente arrepiava cada poro do seu corpo pequeno. Olhar nos olhos de um cachorro a fazia sentir paz. Cantar para Cristo a fazia sorrir.O vapor do café a encantava, o sopro do vento a acalmava e deitar na canga para observar as estrelas era como se tudo voltasse a fazer sentido. Enquanto tomava banho, gostava de imaginar que estava em qualquer outro momento diferente para tentar encontrar soluções. Cada vez que ouvia uma gargalhada ser provocada por suas gracinhas, sentia-se ganhando um oscar.
Ainda que ela não soubesse bem se gostava de ser quem era, nada a fazia mais feliz no mundo do que amar alguém especial. Em contraste, nada a fazia mais infeliz no mundo do que não ser amada por alguém especial. Paula odiava sua mania de parar de ver séries na metade, vomitar, banana, anelídeos, Paulo Coelho e verde musgo. Sentia nojo de si mesma cada vez que provocava uma lágrima, mas quando era ela quem chorava... tratava de fugir do seu ego e ir dormir até outro dia chegar. Difícil mesmo era quando ela conseguia sentir um mês passando como se fosse um ano inteiro...
O que eu estou escrevendo?
sexta-feira, 25 de junho de 2010
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