
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Autarquia

sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Três de Setembro
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Corrente cadeado


sábado, 20 de agosto de 2011
Pura flor de vento gris
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tudo aquilo que não cabe em caixas de papelão.
Seu ninho era quente, e mesmo que emaranhado de espinhos, era confortável e carecente. Mas quando seus ossos começaram a esticar, as dores apareceram por toda parte e minúsculo ficou o espaço para que seus ossos pudessem tomar forma. Somente um sutil bater de asas poderia acariciar seus penares, mas não queria aprender a voar. Suas asas estavam cortadas por amor e na garganta sentia a dor das palavras presas. A pequena menina já não era tão pequenina, mas seus olhos continuavam os mesmos, mas naquele momento estavam fixos e perdidos. Sem horizontes e sem ternura. Estava imóvel e frágil como um jarro de cristal. Ela não conseguia mais permanecer à margem de si mesma e de colos rompidos pelo silêncio. Pegou impulso, esticou as asas de porcelana e foi num fluxo de vento atormentante que lançou-se ao mais profundo abismo aterrador. Espatifou seu coração em milhares de pedaços estrídulos. Ali estava seu velório. Desfalecida em seu próprio berço gemia a dor da morte. Assassinou a criança que existia em cada célula e descobriu que crescer era um torturante palco de luz, a distância era um grito vermelho. Seu peito estava dilacerado e nada, nenhuma dor, nenhum ser humano havia causado amputação parecida a qual pudesse ser similar ao corte profundo que ela mesma feriu-se.terça-feira, 21 de junho de 2011
Gobelin
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Grito histórico
"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Jung)
Ao andar pelas ruas da cidade, sinto-me como quem já não consegue render-se a suposição irrefletida . Sinto tênue calmaria em penetrar os rostos mais conflituosos e ver beleza na simplicidade da rotina desconhecida de cada traço facial. Presto muita atenção em gargalhadas libertinas, ombros curvados, gravatas apertadas, mãos fechadas, pernas duras entre passos espavoridos, sapatos coloridos, lábios glaciais e qualquer ruído que dê resplendor ao meu olhar analítico. Como se fossem obras de arte, percalço a intransigência de participar da ressonância espectral que cada ser humano emite sem dizer. Imagino suas súpilicas, valsas de aflição, ofícios fúnebres, manias peculiares, nomes próprios, angustias espantosas, ansiedades imaculadas, endereçoes , sonhos de cristal, risadas queridas e problemáticas lânguidas que possam passar pela retina da sociedade como impróprio.
Temos por essência arisca um apego a exaltação de nossas falsas magnificiências, vomitar intelectualismo de gaveta e aplaudir ao nosso constante hábito de atribuir-nos virtudes improváveis. O ponto curioso da prática antropológica que cada ser humano acaricia é esse tal desespero para manter-se dentro de hegemônia conservadora. Os julgamentos fulminantes que levitamos entre as bocas sujas perante ao outro, não é nada mais, nada menos, que uma mania violenta de enraivecer as estruturas pelo orgulho de julgar a si mesmo como mais um belo exemplar do sistema. A auto afirmação sempre foi um prato perigoso para incinerar mentes abertas em campos afastados enquanto tême-se a matança da máscara que cobre o infectado coração humano. Mergulhamos entre febres de luxúria, fermentação da cobiça, idolatria irracional ao insulto, amor aos julgamentos exagerados aos outros, que valorizem ao próprio reflexo, falta de compaixão aos momentos ingratos das personalidades humanas e principalmente o prazer do hábito da incompreenção. Mergulhar na decadência de agirmos como vermes carniceiros só nos conduz ao morredouro dos nossos presságios. Pisar nessa terra ferida e travar o conhecimento do outro é como fazer com que não exista nenhuma lógica racional em Alguém ter derramado sangue em nossas veias lívidas. Demência desavergonhada, é isso que temos em nossas loucuras mais petrificadas.
Se cada um de nós sentisse ao menos a vontade de refletir um olhar materno perante ao outro, não seriamos tão escravos da estremicida sensação de dissuadir o real sentido de respirar entre as horas mortas desse céu denso. Liberte-se do seu medo encarniçado de descobrir que precisamos em grau de urgência, de um alarme a vulgarização dos nossos sentidos obscuros. Perceba a candura dos olhos das pessoas. Não sinta prazer em pastorear rancores, nem de tatear trevas. Compartilhar amor, não dói. Chega de supertições sociais, de tardia revelação de carinho entre os seres humanos. Apazigue e finalmente deixe de acordar pela metade. Bom dia.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Palco aberto
O que constitui o ser e a natureza das coisas é o que existe por trás das cortinas. Apenas aquele que não possuir entre as veias um sangue vermelhamente desprovido de hipocrisia, não sente que o pensamento nada mais é do que o ensaio da ação consciente. Nada se finda nem inicia-se sem o processo subsequente. Muitas das atitudes que julgamos levianas e inconsequentes começaram lá onde o inconsciente fotografa como uma chapa desprovida de esquecimento. Atirar-se na voragem da descoberta de si próprio exige o despejo de toda maquiagem sanitária. Vomitar as epístolas e frases de bolso faz com que nossos ouvidos dilatem o verdadeiro sentido de se transitar a arte de cada um. Inquirir a inocência perdida entre os anos só nos causa verdadeira sensitiva indagação. Só aquele que conhece e assume o passado, sabe que a força está agora, prontificada recentemente para fazer e ser o que se quiser. Não tenha receio nem desonra de ser quem habita o peito falho, apenas assuma a farda do bem e utilize-se para uma nova era de amor indiscriminado. Seja quem você gostaria de passar o resto da vida ao lado. Agora sim, faça sua arte: Mude roteiros sem precisar ser teatral. Ria e faça rir.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Regenerar-se

O que é distante mora ao lado do que de perto aguça o peito gris. Não existe cólera ociosa no pensamento que permeia o poder inalienável de vivenciar como momento aquilo que se sublima constantemente . Presenças intocáveis deixam retalhos pela epiderme lasciva. Entre tricomas curtos e finos a sanidade expele toda e qualquer natureza que não cause celebração solar para cada célula usurpadora. Era comum a intensa ramificação oriunda de universos tão paralelos que mal sabiam residir calmaria entre as bochechas nada descontentes mas entre vias contaminadas de realidade, solenizava-se o instante zero na dor e na delícia de respirar o viver das coisas.
Lá onde o coração se renova, desabrocha no presente um futuro puro de fulgor inesgotável.
A nostalgia acalenta os fios entre noites marcada por estrelas compartilhadas e renova os ossos em um mergulho nítido ao que se chama de eternidade.


