quarta-feira, 9 de junho de 2010
Era perceptível
sábado, 5 de junho de 2010
Entre gestos

quinta-feira, 13 de maio de 2010
Retinas e pulsações

Quando a luz não vem de dentro, é melhor abrir as janelas.
Era hora de reinaugurar a própria vida, começar um caderno novo. Desdobrar-se em um oceano perdido. Sair da gaiola da própria mente e enfrentar as limitações do mundo. Pelas retinas rendia-se aos pés da impressão imediata. Pelo coração derramava-se aos braços do conhecimento ao outro. Seu coração estalava em articulada sintonia pulsante. Encostava os dedos no peito, mas não os conseguia afundar. Ela queria tocar seu coração de menina, embaralhar-se em veias e mapear seus labirintos em uma retina que pudessem refletir o que se sente dentro de um beco chamado espelho. Aos cacos sorria
Com os olhos cheios de cores possuía uma relação ainda sensível com seus diamantes não lapidados. Seus sinos ainda eram roucos. Estranhamente roucos. Mesmo assim, seu organismo implorava para que ela transformasse uma vida que fosse. Mas para isso, ela precisava transformar-se. Ela mergulhava ao encontro de si mesma e percebia que suas células entregavam fotografias para que guardasse com carinho. Ao gosto inato da dissolução noturna percebia que em instantes aprendia sobre suas próprias dores nas tristezas do mundo.
Paula via-se nas feridas das pessoas. Na solidão de quem afasta um amor e chora em um travesseiro frio. Na fome dos meninos da esquina. Nos preconceitos. Nos dedos apontados. Nos gritos. Nos hospícios. Na pipa presa no fio. Na fuga do bichinho de estimação. Nos lutos inevitáveis. Na monopolização. Na falta de amigos. Nas lágrimas que são derramadas em secreto. No livro sem leitor. Nas separações. Nos abortos. Nos assaltos. Nas irritações do cotidiano. Nas dores de cabeça. Na nostalgia que corrói. No escritor esquecido. Nas músicas de namoro antigo. Nas culpas sem remédio. Nos casamentos infelizes. Nas religiões. Na distância. Na falta de cobertor. Nos mendigos em papelões. Nas crianças que precisam trabalhar. No governo formado por ladrões. Nos professores que traumatizam. Na rejeição. Na miséria das mentes materiais. Nas purezas dos marginalizados que não são observadas. No teatro vazio. Nas portas trancadas. Nas histórias que não conseguem ter fim. Nas dores de coluna da mulher do prédio. Nos discos arranhados. Nos desempregados
Não é engraçado quando olhamos outros olhos bem de perto e conseguimos ver nossos rostos? É, assim como se pudéssemos fazer alguma coisa...
domingo, 9 de maio de 2010
Minha MÃE

quarta-feira, 5 de maio de 2010
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sábado, 17 de abril de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Transformando o caos em cosmos.
Interpretar-se exige o desvestimento das falsas roupagens. Portas abertas para distanciar-se da realidade cotidiana externa, só por esse momento. Manchar a maquiagem, lançar a luz sobre a covardia, desqualificar o poder do esconderijo social e por fim pisar em sólidos empíricos, coligir os mantos em insana vontade de perceber que no centro dos pensamentos existem poderosas pulsões em ebulição inconsciente.Entre raras, súbitas e violentas explosões das nossas constantes metamorfóses encontramos contradições pertubadoras, capazes de nos levar ao encontro audacioso de nós mesmos. As quais são igualmente necessárias para deslumbrar o intuitivo e projetar o futuro. A força do futuro está no momento presente. O esboço do futuro está no vestígio do passado.
O intuitivo apreende as coisas no seu conjunto e aquilo que atrai é o clima onde elas movem para seus destinos ainda incertos e obscuros. Entre o pensamento e o sentimento ocorre uma incompatibilidade semelhante.
Todo ser tende a realizar o que existe dentro de sua própria natureza pulsante. Como uma tendência instintiva de vivenciar plenamente potencialidades inatas ainda que em germe. Para evoluir, completar-se de algum modo afável.
Coloquei-me em questão por um momento e entre letras, abrirei as cortinas sem representar, sem nariz de palhaço, máscara de bailarina grega ou maquiagem de adolescente fora dos padrões de estética. Penetre a raiz dos meus pensamentos como quiser.
Tenho no peito o peso dos sentimentos fortes e genuínos pelo bem da humanidade o que não significa que não possa ferir ou destruir sem intenção malévola como uma força da natureza. Um vulcão, como descreve Marie-Louise von Franz, onde compara a expressão de afetos do tipo pensamento introvertido aos jatos de lava de um vulcão que não tem culpa de derramar caldos borbulhantes em uma terra frágil.
Apresento-me retraída, calma e silenciosa. Pouco abordável, difícil de compreender porque, digirida por forças brutalmente subjetivas, minhas intenções permanecem ocultas. Gerando enigmas que só podem ser explorados quando lanço luz pelos meus recantos e permito uma aproximação. Quando vista de perto, abro uma personalidade certamente acolhedora, algumas vezes cômica e repleta de desejos por sorrisos provocados por mim. Sou amplamente sensível às impressões provenientes dos objetos, das marcas, das entrelinhas. Fixo os olhos em todos os detalhes como se possuísse internamente uma "placa fotográfica". Gosto de colecionar nostalgias dentro das gavetas. Não tenho nenhum raciocínio diretamente ligado aos números. Letras, filosofia e arte na sua totalidade, conectam-se ao que mais me identifico. Sou atrapalhada, muitas vezes desastrada mas de alguma maneira, tenho suavidade nas coisas que seguro e que guardo. Sou sensível à atmosfera, os ambientes podem mudar rapidamente meu humor. Gosto de seguir pistas, analisar e não tenho medo de ser analisada. Porque de alguma maneira, jamais conseguiriam chegar em um ponto final ao me definir. De alguma maneira, gosto que prestem atenção aos meus sinais. Não existe ponto final quando trata-se da vida de um ser humano. Ninguém nunca vai conseguir SER algo, talvez chegar perto disso, mas de modo abstrato e singular. Gosto de surpreender.
Pareço individualista de primeiro encontro, mas daria a vida por alguém. Quando quebro meu orgulho, sou maleável e fácil de desvendar, mas para quebra-lo, preciso de segurança numerosamente exuberante. Alastro-me em jogos do espírito, gosto mesmo é de me questionar. Criticar cada expressão de descaso com o mundo que brota no meu coração contraditório e muitas vezes hipócrita com a minha amada referência cristã. Devemos ter como objetivo um constante desejo de nos colocarmos a salvo das engrenagens desse sistema opressivo.
Antes de dormir oro por pessoas que nem sei o nome, espero os sonhos chegarem.
Trato meus sonhos como auto descrição da vida psíquica. Encaro a íris dos olhos da minha própria psique sem medo do que posso ver. Já tive sonhos reativos, intuitivos, "grandes e pequenos" (definição de Jung). Irradio de felicidade quando acordo e percebo a delícia de respirar para um novo dia. Pela certeza de ter um anjo tutelar entre meus anelos.
Desdobro-me em profundidade secreta e intensa, mas deleito-me em destronada simplicidade. Ressonho a vontade de ser alguém menos seletiva, por mais que não selecione tanto assim.
Sonho com um mundo sem olhares diferenciados, onde pessoas percebem nos olhos opostos aos seus uma maneira de pintar o céu na terra. Nós não fazemos ideia de como pequenas atitudes singelas podem transformar dias, construir sorrisos e partilhar sofrimentos ávidos. No âmago de nós mesmos abandonamos as relações como quem aprendeu a aproveitar os dons, nessa constante falsa ideologia de troca de favores que dizem que é natural ter-se. Espero de verdade gritar para o mundo que nós não devemos fazer coisas com intuito de receber. Essas nossas armadilhas hábeis e lamentáveis só nos tornam iscas da nossa própria insensatez capitalista e plástica, capaz de deslumbrar um mundo de constante queda espiritual. A mente humana está aberta ao reconhecimento fascinante da nossa conexão tão evidente entre nós mesmos.
Transforme o caos em cosmos, desvende-se.
sábado, 13 de março de 2010
Chega
A sorte é que eu O tenho e Ele sabe o que passa dentro do meu coração.
Se Ele sabe, eu não preciso mais me preocupar. Mesmo assim, dentro de mim corre um grito explosivo que simplesmente precisa sair da boca para tudo. Eu cansei e não existe coisa mais cruel do que não respeitar um sofrimento, do que apontar, do que dizer o que não tem ideia, do que agitar um mar que está calmo. De qualquer maneira, volto a dizer: Jesus conhece as minhas lágrimas, as minhas ações e o meu coração. Espero trazer boas palavras outro dia, hoje simplesmente não dá. Esse é o preço que se paga por se esforçar, por tentar ser uma pessoa melhor. É, mas tudo bem. A melhor coisa que se tem é estar em paz com as próprias atitudes. A verdade é que não dá mais para aturar o peso das palavras desnecessárias. Definitivamente não estou bem. Por hoje basta.
Vertigem

terça-feira, 2 de março de 2010
A Escolha



